7 de Setembro reúne mais de 70 mil pessoas em Brasília com soberania e pautas sociais

Desfile na Esplanada dos Ministérios teve participação inédita de agricultores familiares, defesa do fim da escala 6×1 e manifestações políticas entre o público.

Mais de 70 mil pessoas acompanharam o desfile cívico-militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, segundo estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Além das tradicionais apresentações das Forças Armadas, a cerimônia deste ano colocou a soberania nacional no centro da programação e abriu espaço para temas sociais e políticos.

Realizado nesta segunda-feira (7), o evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da primeira-dama Janja da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Também participaram os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, além de ministros e outras autoridades.

A cerimônia foi organizada em três eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”, “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres” e “Copa do Mundo Feminina 2027 é no Brasil!”.

A programação começou por volta das 9h e durou aproximadamente duas horas. Além das representações civis, desfilaram tropas das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. O público também acompanhou veículos militares, apresentação da Pirâmide Humana e o encerramento com a Esquadrilha da Fumaça.

Agricultura familiar participa pela primeira vez

Uma das novidades desta edição foi a participação da agricultura familiar. Pela primeira vez, agricultores integraram oficialmente uma ala do desfile de 7 de Setembro em Brasília.

Seis caminhonetes carregadas de alimentos fizeram parte da apresentação e formaram a palavra “Brasil”. Integrantes de movimentos sociais do campo participaram do ato e relacionaram a produção de alimentos à defesa da soberania nacional.

Representantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) destacaram que a presença no desfile simbolizava o reconhecimento das famílias responsáveis pela produção de alimentos em diferentes regiões do país.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também participaram da cerimônia e defenderam a presença dos movimentos populares nos espaços relacionados às comemorações nacionais.

Entre os participantes, o conceito de soberania também foi associado à exploração dos recursos naturais e ao desenvolvimento econômico. Militantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) chamaram atenção para a necessidade de o país manter autonomia sobre seus recursos minerais, sua indústria e suas decisões estratégicas.

O debate ganha importância em um momento de crescente disputa internacional por minerais críticos e matérias-primas utilizadas na transição energética, na produção de equipamentos tecnológicos e em outras cadeias industriais.

Fim da escala 6×1 aparece entre manifestações

A programação oficial não foi o único espaço para manifestações políticas. Entre os espectadores, uma das reivindicações presentes foi o fim da escala de trabalho 6×1.

Participantes defenderam a redução da jornada como forma de ampliar o período de descanso e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. O tema ganhou maior visibilidade nacional após o avanço, no Congresso, da proposta de redução da jornada semanal de trabalho.

Também ocorreram manifestações de apoio ao presidente Lula. Em ano eleitoral, a presença de símbolos nacionais e as discussões sobre o significado político do verde e amarelo estiveram entre os temas levantados por integrantes dos movimentos sociais presentes na Esplanada.

A programação também reservou espaço para o enfrentamento da violência contra meninas e mulheres. Um dos eixos apresentou mensagens de conscientização e referências aos serviços destinados ao atendimento e à proteção das vítimas.

O terceiro eixo destacou a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Atletas, estudantes e ex-jogadoras participaram da apresentação, que buscou valorizar a trajetória do futebol feminino brasileiro.

Apesar da presença de milhares de pessoas, houve relatos de dificuldades para entrar nas arquibancadas. Parte do público ficou fora das áreas reservadas após o esgotamento das pulseiras utilizadas para controlar o acesso.

Depois das apresentações temáticas, Marinha, Exército e Força Aérea participaram do desfile militar. A Esquadrilha da Fumaça encerrou a programação na Esplanada dos Ministérios.


🔍 Fonte: Brasil de Fato; Polícia Militar do Distrito Federal.

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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