Em Nice, na França, presidente detalha metas de conservação, cobra ação contra poluição por plásticos e pede que questão climática seja prioridade na educação

O presidente Lula, na conferência da ONU: “Nos últimos 10 anos, o mundo produziu mais plásticos do que no século anterior”
Em um discurso contundente na 3ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), nesta segunda-feira (9), o presidente Lula reforçou o compromisso do Brasil com a proteção dos mares e anunciou metas ambiciosas para a conservação da biodiversidade marinha. O presidente destacou a urgência de ações globais para combater a poluição por plásticos e a necessidade de integrar a questão climática nos currículos escolares.
“Temos orgulho de ser uma nação oceânica,” declarou Lula, referindo-se ao vasto território marítimo brasileiro, que chamou de “Amazônia Azul”. Ele observou que, assim como a floresta amazônica, os oceanos sofrem com o impacto das mudanças climáticas. “O oceano está febril. Em apenas um ano, a temperatura média do mar elevou-se quase o mesmo que nas quatro décadas anteriores. A ciência comprova que a causa dessa enfermidade é o aquecimento global e o uso de combustíveis fósseis.”
O presidente anunciou que o Brasil, além de zerar o desmatamento até 2030, vai “ampliar de 26% para 30% a cobertura de nossas áreas marinhas protegidas, cumprindo a meta do Marco Global para a Biodiversidade.” Lula também disse que o país implementará programas dedicados à preservação de manguezais e recifes de corais e está formulando uma estratégia nacional contra a poluição por plásticos no oceano. “Nos últimos dez anos, o mundo produziu mais plásticos do que no século anterior. Seus resíduos representam 80% de toda a poluição marinha,” alertou.
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Multilateralismo
O líder brasileiro também destacou a importância do multilateralismo e da cooperação internacional, cobrando a ratificação do Tratado do Alto Mar. “O Brasil está comprometido a ratificar o Tratado do Alto Mar ainda este ano, para assegurar a gestão transparente e compartilhada da biodiversidade além das fronteiras nacionais,” afirmou. Ele também criticou o unilateralismo atual. “Não podemos permitir que ocorra com o mar o que aconteceu no comércio internacional, cujas regras foram erodidas a ponto de deixar a OMC inoperante.”
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Em um apelo direto aos líderes mundiais, especialmente no contexto da COP30 em Belém, Lula defendeu que a questão climática seja tratada com a seriedade que merece. “Primeiro, a decisão de convencer os chefes de Estado desse mundo de que a questão climática não é invenção de cientistas nem é brincadeira de gente da ONU. (…) Segundo: que a questão climática pode dizimar a humanidade. É preciso saber se acredita.”
Como medida fundamental, o presidente brasileiro propôs uma mudança na abordagem educacional: “Nós temos que dizer aos chefes de Estado que precisamos começar a investir na educação no Ensino Fundamental na questão do clima (…) Fica mais barato, muito mais fácil, a gente começar a apostar que a questão do planeta será cuidada quando a gente mudar o nosso currículo escolar e colocar a questão climática para que as crianças aprendam da creche até a universidade que elas precisam cuidar do ambiente em que eles vivem.”
O Brasil apresentou sete compromissos voluntários na conferência, relacionados à proteção de áreas marinhas, planejamento espacial marítimo, pesca sustentável, ciência e educação, incluindo o objetivo de ter o maior número de “Escolas Azuis” do mundo até 2025.
Antes de sua participação na UNOC3 em Nice, o presidente Lula esteve em Mônaco no domingo (8), onde discursou no encerramento do Fórum de Economia e Finanças Azuis, alertando para a disparidade entre gastos militares e investimentos na preservação dos oceanos.
Com informações do PT Org
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