Caso Master: PF cumpre mandados de buscas e apreensões em 10 endereços no RJ e PE

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (10) a Operação Take Over, nova fase das investigações sobre fraudes envolvendo o antigo Banco Master, de Daniel Vorcaro. A ação mira suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do fundo previdenciário dos servidores municipais de Paulista, no litoral de Pernambuco.

Estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, em Paulista, no Recife e no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, mais de R$ 3 milhões teriam sido direcionados a investimentos de risco por meio de decisões tomadas em desacordo com normas legais e procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários.

A PF apura a aplicação de valores em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. De acordo com a investigação, teria havido promessa de rendimento de 7% mais IPCA para o aporte no banco. A adesão ao investimento teria sido imposta pelo presidente do sistema de previdência municipal.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que “as apurações indicam que valores superiores a R$ 3 milhões teriam sido direcionados a investimentos com grau de risco por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”.

Uma das frentes da apuração busca verificar se decisões estratégicas foram tomadas de forma isolada, sem respeito a critérios de segurança, liquidez e transparência. A corporação também investiga possível recebimento de vantagens indevidas por gestores do fundo.

Agentes da PF durante operação. Foto: reprodução

“A investigação busca esclarecer se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro. As diligências também pretendem verificar o recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do fundo”, disse a PF.

O caso de Paulista se soma a outras apurações sobre aplicações de institutos previdenciários em produtos do Banco Master. Fundos que pagam aposentadorias a servidores municipais e estaduais aplicaram R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras do banco, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

Além do fundo de Paulista, já foram alvo de operações o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, e a Amprev, do Amapá. As investigações integram o escopo da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, quando foram presos executivos ligados ao Banco Master.

A primeira fase da operação cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o Brasil, e foi solto no fim daquele mês.

Desde então, a investigação avançou sobre suspeitas de uso de fundos fraudulentos para maquiar o caixa do banco, pagamento de propina, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. Vorcaro voltou a ser preso em março de 2026 e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça. Em fases anteriores, a PF mirou nomes como Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o pai de Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), em apurações relacionadas ao Banco Master e a fundos públicos.

Com informações DCM

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário