Filme ‘A margem do rio’ vai representar o Brasil no Festival de Locarno

Primeiro longa-metragem dos pernambucanos Matheus Farias e Enock Carvalho foi descrito como “thriller erótico” e se passa nos manguezais do Recife. Festival acontece entre 5 e 15/8

A margem do rio, primeiro longa-metragem dos diretores pernambucanos Matheus Farias e Enock Carvalho, vai representar o Brasil no 79º Festival de Cinema de Locarno, que acontece na Suíça entre os dias 5 e 15 de agosto.

“Recebemos o comunicado e ficamos em silêncio por um minuto, processando. A notícia chegou num momento inesperado e pegou a gente de surpresa”, disse Enock Carvalho ao Correio, sobre a emoção de ter sido selecionado para Locarno já no longa de estreia. “Locarno é uma referência para o cinema de autor, Claire Denis, Rossellini e Jafar Panahi já foram premiados ali. É uma grande honra estrear nosso primeiro longa nesse contexto”, completou Matheus Farias.

A trama acompanha Izaquiel (Caique Copque), um auxiliar de serviços gerais que busca encontros secretos nos mangues do Recife. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele cruza o caminho de Jeremias (Ítalo Martins), um pescador intrigante, que o leva em uma jornada rumo às profundezas do coração do manguezal.

Os dois diretores vêm de uma trajetória de curtas bastante elogiada, com presença em festivais como Sundance, BFI, Gramado e Brasília. Entre seus trabalhos anteriores estão Inabitável (2020), Caranguejo Rei (2019) e Quarto para alugar (2016). “O filme pertence à mesma genética dos nossos curtas”, explicou Enock. “Os anos iam passando, eu e Matheus íamos dirigindo nossos curtas e em paralelo gestando o ‘Margem’. Quem conhece os curtas vai sentir isso muito naturalmente. Giona A. Nazzaro, diretor artístico de Locarno, apresentou o filme na coletiva de imprensa como um ‘thriller erótico’, destacando que se desenrola nos rios de Recife. Eu achei isso muito bom.”

A seleção para Locarno se insere dentro de um contexto de visibilidade do cinema brasileiro no exterior, com destaque para os prêmios de Ainda estou aqui, de Walter Salles, O último azul, de Gabriel Mascaro e a campanha do Oscar de O agente secreto, de Kléber Mendonça Filho. “Tem um fato curioso que o cinema pernambucano teve filmes na competição de Berlim e Cannes no ano passado e esse ano na competição de Roterdã e agora em Locarno”, diz Enock Carvalho. “Esses festivais juntos com Sundance e Veneza são os seis festivais mais importantes do mundo. Algo me diz que isso significa bastante coisa.”

A margem do rio concorre ao Leopardo de Ouro ao lado de filmes como Ketticè, de Giovanni Tortorici, o sul-coreano Nowhere to lay my eyes, de Hong Sang-soo e o italiano Wandering trees, de Salvatore Mereu.

O Brasil já venceu o prêmio máximo do Festival de Locarno duas vezes. Em 1967, com Terra em transe, de Glauber Rocha e em 2022 com Regra 34, de Julia Murat.

*Com informações do Correio Braziliense.



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