Lula: “Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e virou prisioneiro no meu”

Ceilândia em Alerta — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro não tem relação com o Palácio do Planalto e destacou que as investigações foram conduzidas pela Polícia Federal durante seu governo. Segundo Lula, o banco surgiu durante a gestão de Jair Bolsonaro, enquanto a prisão de Vorcaro ocorreu no atual mandato.

“Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e virou prisioneiro no meu governo”, declarou o presidente durante entrevista ao SBT Brasil, no Palácio da Alvorada.

Lula também afirmou que o Banco Master “foi criado no governo Bolsonaro”, que Vorcaro “foi preso no meu governo” e que o banco “foi fechado no meu governo”. Para o presidente, a crise envolvendo a instituição financeira não deve ser atribuída ao governo federal.

“O governo não tem nada a ver com a crise institucional. É importante a gente deixar claro para a opinião pública”, afirmou.

Lula confirma reunião com Vorcaro

O presidente confirmou que se reuniu com Daniel Vorcaro na presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo Lula, durante o encontro, o empresário alegou estar sendo perseguido.

O presidente afirmou que respondeu que o Banco Master seria submetido às mesmas regras aplicadas às demais instituições financeiras.

“O Banco Master vai ser analisado como qualquer banco. Ninguém tem interesse de fechar banco. Agora, você tem que estar correto; se não estiver correto, nós fechamos”, relatou Lula.

Segundo o presidente, a reunião durou menos de meia hora.

Lula comparou o episódio a uma reunião que teve com o empresário Silvio Santos durante o caso envolvendo o Banco Panamericano. De acordo com o presidente, ele afirmou na ocasião que o empresário não seria perseguido e que as investigações seriam realizadas de forma regular.

“Se você não tiver culpa, está livre. E foi o que aconteceu”, disse Lula ao recordar o episódio.

Presidente cita prejuízo atribuído ao Banco Master

Ao comentar as investigações, Lula afirmou que há pessoas com forte envolvimento com o Banco Master e classificou o caso como de grandes proporções para o sistema financeiro.

Segundo o presidente, Vorcaro teria provocado um rombo de R$ 60 bilhões e o caso envolveria também outros governadores e o Banco de Brasília (BRB).

As afirmações fazem parte da avaliação apresentada por Lula durante a entrevista e estão relacionadas às investigações em andamento sobre o Banco Master e seus negócios.

Lula defende Andrei Rodrigues

Na entrevista, Lula também defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) agiu corretamente ao atuar em defesa do chefe da corporação.

Segundo o presidente, a atuação da AGU ocorreu sob sua orientação.

“É papel da Advocacia-Geral da União defender os membros do governo”, afirmou.

Lula classificou Andrei Rodrigues como um policial federal competente, com mais de 30 anos de carreira, e destacou a atuação da corporação em operações contra o crime organizado e nas investigações relacionadas ao Banco Master.

“É o companheiro que fiscalizou o Banco Master e que prendeu o Vorcaro”, declarou.

“Andrei é da minha total confiança”

Lula também rebateu questionamentos sobre a proximidade entre o presidente da República e o diretor-geral da Polícia Federal.

Segundo o presidente, não faria sentido nomear o chefe da PF e, posteriormente, tratá-lo como alguém sem relação institucional com o governo.

“As pessoas querem que o presidente indique o diretor-geral da Polícia Federal e depois que ele vire um estranho ao presidente da República? Não. Ele é um funcionário do Estado brasileiro e, portanto, nós temos responsabilidade sobre ele”, afirmou.

Lula ainda destacou resultados que atribuiu à gestão de Andrei Rodrigues.

“A Polícia Federal nunca trabalhou tanto, nunca prendeu tanto, nunca resgatou tanto dinheiro e tanta droga como neste mandato do Andrei. Por isso eu quero dizer alto e bom som: o Andrei é da minha total confiança”, declarou.

Lula diz que diretor da PF também deve responder por eventuais erros

Apesar da defesa, Lula afirmou que a confiança em Andrei Rodrigues não significa que o diretor-geral esteja acima das regras.

O presidente declarou que, caso Rodrigues cometa algum erro, deverá responder da mesma forma que qualquer outra autoridade.

“Se ele por acaso cometer um erro, que ele seja julgado igual vai ser o Lula, igual vai ser você. Não tem segredo”, afirmou.

A declaração ocorre em meio à crise institucional no STF envolvendo decisões de diferentes ministros sobre a atuação da Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.

Fonte: Vermelho.

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