Decisão foi tomada em julho a pedido da Polícia Federal e veio a público após retirada de sigilo de procedimentos ligados ao Banco Master; senador nega irregularidades e afirma que recursos destinados à produção são privados.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada em 22 de julho, mas a informação veio a público nesta sexta-feira (11), depois que Mendonça retirou o sigilo de parte dos procedimentos relacionados às investigações do Banco Master. O inquérito específico sobre “Dark Horse”, entretanto, continua sob sigilo para preservar diligências ainda em andamento.
Segundo documentos da investigação, a Polícia Federal pediu autorização para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.
A inclusão de Flávio Bolsonaro na investigação não significa que os crimes tenham sido comprovados. O inquérito tem justamente a finalidade de esclarecer os fatos, reunir provas e determinar se houve ou não alguma conduta criminosa.
Além do senador, investigações relacionadas ao projeto cinematográfico também alcançam Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), embora diferentes frentes de apuração tramitem em procedimentos distintos.
PF investiga negociações com Daniel Vorcaro
Um dos pontos centrais da investigação é a relação entre o financiamento de “Dark Horse” e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Documentos encontrados durante as apurações indicam que Flávio Bolsonaro participou diretamente das conversas para buscar recursos para a produção. O senador já confirmou publicamente ter solicitado financiamento a Vorcaro, mas sustenta que se tratava de investimento privado destinado exclusivamente ao filme e nega qualquer contrapartida.
Um contrato encontrado no celular do ex-banqueiro previa o repasse de até US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões pela cotação do período, divididos em 14 parcelas para o financiamento do projeto.
As investigações apontam que pelo menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente transferidos. Parte das movimentações teria ocorrido por intermédio da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Os valores chegaram ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado nas reportagens sobre o caso como próximo de Eduardo Bolsonaro.
Nesta semana, Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada de Freixo Júnior. O empresário é apontado como operador responsável por parte das remessas financeiras realizadas a pedido de Vorcaro.
A homologação da colaboração verifica aspectos como legalidade e voluntariedade do acordo, mas não transforma automaticamente as declarações do colaborador em fatos comprovados. As informações precisam ser confrontadas com documentos e outras provas.
Uma das hipóteses investigadas é se parte dos recursos enviados ao exterior teve destinação diferente da produção cinematográfica. Também está sob apuração a possibilidade de valores terem sido utilizados para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Até o momento, essas possibilidades permanecem como hipóteses investigativas, sem conclusão definitiva sobre a destinação de todos os recursos.
Outra investigação apura possível uso de recursos públicos
O caso “Dark Horse” também aparece em outra investigação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura suspeitas relacionadas à utilização de emendas parlamentares.
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação que teve entre os alvos o deputado Mario Frias e Karina Gama, ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à produção do filme.
A PF investiga suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares e possível transferência de parte desse dinheiro para a produtora responsável por “Dark Horse”. Essa frente é distinta do inquérito sob relatoria de André Mendonça no qual Flávio Bolsonaro é investigado.
As investigações também procuram esclarecer movimentações financeiras realizadas entre empresas, entidades e pessoas relacionadas à produção cinematográfica e determinar a origem e o destino final dos recursos.
Flávio Bolsonaro vem negando irregularidades. O senador afirma que o filme foi financiado com recursos privados e que não ofereceu qualquer contrapartida em razão de seu mandato parlamentar.
Embora Mendonça tenha determinado na quinta-feira a retirada do sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Banco Master, o inquérito específico sobre o financiamento de “Dark Horse” permanece protegido por segredo de Justiça. A informação sobre a investigação de Flávio tornou-se conhecida porque o pedido da Polícia Federal e o despacho que autorizou a apuração aparecem em documentação vinculada a um dos procedimentos que passaram a ser públicos.
A investigação continua em andamento. A condição de investigado não representa denúncia, julgamento ou condenação, e eventual responsabilização dependerá das provas reunidas, da manifestação do Ministério Público e das decisões judiciais posteriores.
🔍 Fontes: Agência Brasil; Supremo Tribunal Federal (STF); Polícia Federal.
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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