Deputado do PSOL comemora manutenção do mandato e afirma que mobilização nacional foi decisiva; Câmara aprovou suspensão de seis meses
“A MOBILIZAÇÃO POPULAR VENCEU!” Com essa frase, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) comemorou, em suas redes sociais, a decisão da Câmara dos Deputados que rejeitou sua cassação e aprovou uma suspensão de seis meses. A Câmara decidiu o caso na quarta-feira (10), conforme noticiou a Agência Brasil.
No texto publicado em seu perfil, Glauber contextualizou a resistência política que se formou em torno de seu mandato:
“Rodamos os 26 estados e o Distrito Federal com a Caravana Glauber Fica, realizamos atividades e atos por todo o país. Mostramos que a defesa de um mandato vai muito além de um cargo: é a defesa de um instrumento de luta da classe trabalhadora.”
O deputado também afirmou que seguirá atuando com foco em direitos e democracia: “Seguimos firmes na defesa das conquistas democráticas, na luta contra a anistia, em defesa dos direitos e na luta para transformar a realidade, que muitos dizem ser impossível acontecer.”
Câmara rejeita cassação e aprova suspensão de seis meses
Em uma votação marcada por tensões e articulações de último minuto, o Plenário decidiu suspender o mandato do parlamentar por seis meses, em vez de cassá-lo. A cassação exigia ao menos 257 votos, mas foi rejeitada. Com a suspensão, Glauber mantém seus direitos políticos e evita se tornar inelegível.
A medida alternativa foi aprovada por 318 votos a 141, com três abstenções. Uma votação anterior já havia sinalizado o caminho da suspensão, quando os deputados aprovaram, por 226 votos a 220, a preferência que substituiu a cassação pela punição mais branda.
A suspensão foi proposta pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e contou com apoio de diferentes bancadas, incluindo PSD e MDB.
Parlamentares defendem punição, mas criticam cassação
Entre os defensores da punição alternativa, Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que, embora Glauber tenha errado, a cassação seria desproporcional: “Isso não é motivo de cassação.”
A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), mesmo sendo oposição, disse compreender a reação de Glauber diante das provocações e citou o contexto familiar do deputado: “Glauber erra muito. Mas a mãe dele estava na UTI. Eu daria também um tapa [se estivesse na situação].”
Já o relator Paulo Magalhães (PSD-BA) insistiu na cassação, afirmando que o tema foi amplamente debatido no Conselho de Ética e na CCJ: “Acredito que nós temos que manter todos os conhecimentos que foram apresentados e debatidos.”
Glauber relatou agressão após ofensa à mãe
O processo contra o deputado se originou após um episódio em abril do ano passado, quando Glauber reagiu a provocações do integrante do MBL Gabriel Costenaro. Segundo o parlamentar, a agressão ocorreu após uma ofensa à sua mãe, internada na UTI na época.
Antes da votação, Glauber discursou emocionado no plenário e disse: “Calar o mandato de quem não se corrompeu é sim uma violência.”
Mobilização nacional marca a defesa do mandato
A decisão que preservou o mandato de Glauber ocorreu após semanas de protestos, manifestações, atos públicos e a Caravana Glauber Fica, realizada em todos os estados e no Distrito Federal. A mobilização buscava mostrar que a defesa do mandato representava, segundo seus apoiadores, a defesa de pautas da classe trabalhadora e da democracia.
Com a decisão tomada pela Câmara, Glauber agora terá seu mandato suspenso temporariamente, mas segue elegível e promete continuar atuando politicamente.
“A mobilização popular venceu” tornou-se, assim, o lema de sua reação à decisão do Parlamento — e o ponto de partida para a continuidade de sua atuação após o desfecho do processo disciplinar.
Fonte: brasil247
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