De acordo com pesquisa da Broadminded, a alta rejeição à substituição do sistema pelo recurso de “Notas de Comunidade “é a maior entre países da América Latina

Levantamento também revelou que o Brasil apresentou o maior índice de usuários das redes que identificaram discurso de ódio: 43%
A maioria dos brasileiros vê com preocupação o fim da checagem independente de fatos por terceiros e a flexibilização das regras contra discurso de ódio, anunciadas pela empresa Meta.
De acordo com pesquisa feita pela Broadminded, agência que faz levantamentos na América Latina, 41% dos brasileiros reprovam a decisão da empresa de encerrar seu programa de checagem e substituí-lo pelo recurso de “Notas de Comunidade”. A rejeição dos brasileiros é a maior de todos os países analisados, ficando à frente do México (31%), Colômbia (35%), Chile (30%), Argentina (28%) e Peru (26%).
Segundo o levantamento, divulgado nesta terça-feira (11) pelo jornal O Globo, o Brasil apresentou também o maior índice de usuários das redes que identificaram discurso de ódio, 43%. “Nove em dez usuários também entendem que a empresa deveria ter mais responsabilidade na remoção de conteúdo e colaboração com autoridades”, publicou o jornal O Globo sobre o alto percentual de 87% de brasileiros que consideram que a Meta deveria ter obrigação de remover conteúdos, desativar contas e colaborar com as autoridades.
A pesquisa da Broadminder, do grupo Sherlock Comunicação, ouviu cerca de 3,2 mil pessoas no mês de janeiro. Entre os seis países pesquisados, o Brasil tem população que mais usa diariamente o Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads.
As decisões da Meta, anunciadas dia 7 de janeiro, inicialmente se aplicam aos Estados Unidos. A empresa não divulgou quando pretende implantá-las no Brasil.
Brasileiros identificam discursos de ódio
O Brasil teve o maior percentual de respostas positivas à pergunta sobre discursos de ódio nas redes; 43% identificaram ofensas relacionadas à raça e gênero. Questionados se encontraram fake news nas plataformas da Meta, 54% responderam que sim e 29% afirmaram que já caíram em fake news.
A disseminação de fake news na internet foi classificada como um “direito democrático” por apenas 19% dos entrevistados.
Para 38% dos usuários das redes da Meta no Brasil – menor percentual entre os países pesquisados, há a possibilidade de deixar as redes da empresa caso a empresa encerre a checagem de fatos. Outros 43% afirmaram que não sairiam das plataformas.
“O Brasil é um dos maiores mercados da Meta e tem um dos níveis mais altos de engajamento com suas plataformas. Ignorar as preocupações dos brasileiros pode ter consequências para a empresa no longo prazo”, apontou Patrick O’Neill, responsável pela pesquisa, na matéria d’O Globo.
“A empresa não pode somente ‘lavar as mãos’ sobre o conteúdo que dissemina. Os algoritmos dessas plataformas não são neutros, e uma parte significativa dos brasileiros sabe disso”, publicou o jornal.
Espalhar fake news não é um direito, diz a maioria
O responsável pela pesquisa ressaltou que uma parte dos usuários brasileiros e latino-americanos entende que espalhar desinformação é um direito, mas a maioria dos brasileiros não concorda com isso. Uma grande parte busca formas de checar a veracidade na internet (57%) ou na imprensa (53%). Outros 33% procuram em outras redes sociais e 9% responderam que usam plataformas de inteligência artificiais.
A maioria dos que fizeram denúncias nas plataformas da Meta afirmaram que não tiveram resposta satisfatória ou que foi ignorado (31%) e 22% dos entrevistados se disseram satisfeitos após a denúncia.
AGU cobra responsabilidade das plataformas
Na última sexta-feira (7) a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) petição solicitando celeridade e prioridade no julgamento dos processos que discutem a responsabilidade das plataformas digitais sobre publicações de seus usuários. Especialistas e entidades manifestaram grande preocupação em relação aos impactos imediatos das novas regras de moderação de conteúdo anunciadas pela Meta sobre os direitos fundamentais, especialmente em relação ao combate e à prevenção dos discursos de ódio.
A AGU sustentou, na petição, que o afrouxamento das regras dos chamados “Termos de Uso” das plataformas removeu restrições ao que pode ser postado em casos de discurso de ódio contra grupos vulneráveis em questões de gênero, orientação sexual, imigração, raça e religião. Os direitos fundamentais devem ser respeitados também nas relações privadas, e não somente nas relações entre o Estado e os cidadãos, argumentou a AGU.
Da Redação, com Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU
Com informações do PT Org
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