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JUSTIÇA

STF determina prisão de ex-cúpula da PM do DF por omissão nos atos golpistas

Oficiais foram condenados a 16 anos de prisão por não impedir invasão das sedes dos Três Poderes

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O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quarta-feira (11) a prisão de cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) condenados por omissão durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A decisão foi tomada após o esgotamento das possibilidades de recurso contra a sentença que fixou pena de 16 anos de prisão em regime inicial fechado, além da perda dos cargos públicos. 

A ordem de prisão foi expedida após a Primeira Turma do STF rejeitar, no fim de fevereiro, os últimos recursos apresentados pelas defesas. Com isso, a condenação se tornou definitiva, permitindo o início imediato do cumprimento das penas. De acordo com informações das defesas, quatro dos cinco ex-integrantes da cúpula da PMDF já haviam se apresentado à polícia na tarde de quarta-feira.

Após passarem pelos procedimentos legais, incluindo exames no Instituto Médico Legal (IML), eles devem ser encaminhados ao sistema prisional do Distrito Federal.

Os militares foram condenados por unanimidade pelo STF no julgamento realizado em dezembro do ano passado, no âmbito do inquérito que investiga os ataques antidemocráticos às sedes dos Três Poderes.

As penas foram aplicadas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. A decisão também determinou a perda dos cargos públicos ocupados pelos oficiais golpistas à época dos fatos.

Foram condenados o então comandante-geral da PMDF, Fábio Augusto Vieira; o ex-subcomandante-geral, Klepter Rosa Gonçalves; e os coronéis Jorge Eduardo Barreto Naime, Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra e Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues. 

O voto que prevaleceu foi o do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que considerou comprovado que os oficiais tinham conhecimento prévio dos riscos de invasão aos prédios públicos. Mesmo assim, os servidores não adotaram as medidas necessárias para impedir a depredação das sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário em Brasília.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), os oficiais ocupavam posições estratégicas na estrutura da segurança pública do Distrito Federal e tinham meios operacionais e autoridade institucional suficientes para evitar ou minimizar os ataques. 

Omissão deliberada

Para o Ministério Público, a conduta dos militares configurou omissão deliberada diante de uma situação de risco amplamente conhecida pelas autoridades de segurança, especialmente após semanas de mobilização de manifestantes que questionavam o resultado das eleições presidenciais e pediam intervenção militar.

A responsabilização penal dos oficiais baseou-se no entendimento jurídico de que a lei brasileira não pune apenas ações diretas, mas também omissões quando existe obrigação legal de agir para evitar um crime. No caso da Polícia Militar, essa obrigação decorre tanto da Constituição Federal, que atribui à corporação a função de preservar a ordem pública, quanto da legislação específica que rege a PM do Distrito Federal. 

Para a acusação, os oficiais estavam em “posição de garante”, conceito jurídico que define a responsabilidade de quem tem dever legal de proteção, vigilância ou cuidado e, mesmo assim, deixa de agir para impedir um delito.

Após a formalização das prisões, os condenados devem ser encaminhados ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. No mesmo sistema prisional já se encontram presos, por decisões judiciais relacionadas às investigações dos ataques golpistas e de seus desdobramentos, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques.

Repercussão política

Durante sessão realizada nesta quarta-feira (11) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o deputado distrital Chico Vigilante (PT) afirmou que os acontecimentos de 8 de janeiro representaram uma tentativa real de ruptura democrática e criticou discursos que relativizam a gravidade dos atos.

Segundo o parlamentar, negar a natureza golpista das ações significa ignorar os riscos que o país enfrentou naquele momento. “Tem alguns pronunciamentos feitos aqui nesta tribuna que tentam não reconhecer que houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Se esse golpe tivesse acontecido, certamente boa parte de nós que estamos aqui hoje não estaria mais aqui”, afirmou.

Vigilante também criticou propostas de anistia para os envolvidos nos ataques e afirmou que a história brasileira demonstra os riscos de não responsabilizar movimentos golpistas. “O que houve no dia 8 de janeiro de 2023 não foi um passeio no parque. Não eram velhinhas com bíblias na mão que foram orar. Eram golpistas que queriam impedir a posse de um presidente legitimamente eleito”, declarou.

Para o deputado, a resposta institucional aos ataques demonstrou a força das instituições democráticas do país, mas também exige vigilância permanente. “As instituições funcionaram e derrotaram os golpistas. Mas lugar de golpista é na cadeia. Lugar de golpista não é com anistia. Golpista tem que ser tratado como criminoso”, afirmou.

*Com informações do Brasil de Fato

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