Para se apresentar como vítima de perseguição, Bolsonaro divulga vídeos proibidos por Moraes e se complica ainda mais

Em publicação no WhatsApp, ex-presidente exibe autoridades como Flávio Dino e Carlos Lupi defendendo sistema de auditagem dos votos

Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes
Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes (Foto: Reprodução | Antonio Augusto/Secom/TSE)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou em grupos do WhatsApp uma série de vídeos que haviam sido proibidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de serem exibidos durante seu depoimento à Corte na última terça-feira (10). A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Os vídeos, de caráter político, mostram declarações antigas de autoridades como o atual ministro do STF, Flávio Dino, e o presidente do PDT, Carlos Lupi, defendendo a adoção do voto impresso — pauta que se tornou central no discurso bolsonarista nos últimos anos.Play Video

As imagens divulgadas pelo ex-presidente também incluem trechos em que ele próprio, ainda no exercício da Presidência, aparece dirigindo-se a apoiadores. Em um dos trechos, Bolsonaro pede que caminhoneiros desobstruam estradas e que as manifestações ocorram de forma pacífica. “Não vamos para o tudo ou nada”, afirma, em tom conciliador.

A divulgação dos vídeos ocorre no contexto do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Bolsonaro foi chamado a depor no âmbito da investigação que envolve seus aliados e ex-membros do governo. A defesa do ex-presidente havia solicitado a exibição dos vídeos durante o interrogatório como forma de embasar sua versão dos fatos e demonstrar que suas ações não incentivaram rupturas institucionais.

No entanto, o pedido foi rejeitado por Alexandre de Moraes, que considerou a exibição fora dos parâmetros legais e alheia ao escopo do interrogatório. Em resposta, Bolsonaro optou por divulgar os vídeos diretamente a seus apoiadores por meio do WhatsApp. A manobra é uma forma de tentar controlar a narrativa e mobilizar sua base em torno da ideia de perseguição política.

Com informações do Brasil 247

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