Tarifaço: Lula e Trump não devem ter bilateral no G7

Encontro informal não está descartado. Governo foca em negociações técnicas com Washington para reverter medidas dos EUA contra o Brasil.

O governo brasileiro decidiu não usar a Cúpula do G7 como espaço para tentar viabilizar uma reunião bilateral entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação de interlocutores do Planalto é que, neste momento, não há elementos políticos ou diplomáticos suficientes para justificar um encontro formal entre os dois líderes, enquanto o Brasil prioriza a negociação com os EUA sobre tarifas por meio de um grupo de trabalho, informa Isabel Mega, da CNN Brasil.

Apesar da ausência de articulação para uma bilateral, integrantes do governo não descartam a possibilidade de um encontro informal entre Lula e Trump durante a agenda do G7. Nesse cenário, poderia ocorrer um cumprimento ou um breve contato entre os dois presidentes, sem caráter de reunião oficial.

A equipe brasileira considera que o caminho mais adequado, neste momento, é concentrar esforços nas tratativas técnicas com Washington. As conversas entre Brasil e Estados Unidos estão sendo conduzidas por meio de um grupo de trabalho, e os próximos passos dependerão do avanço das negociações em andamento.

Pelo lado brasileiro, as discussões têm sido lideradas pelo ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A expectativa é que ele participe ainda nesta semana de uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.

No governo Lula, há a avaliação de que existe espaço para negociar uma redução ou até mesmo um adiamento da aplicação da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos após a conclusão de uma investigação comercial no âmbito da chamada Seção 301.

A percepção, no entanto, é diferente em relação à tarifa de 12,5% anunciada posteriormente pelo governo Trump contra o Brasil e outras 59 economias. Essa medida foi justificada por Washington sob o argumento de supostas falhas relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

Além da pauta tarifária, o Brasil também não vê sinais de recuo dos Estados Unidos sobre a decisão de classificar facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. A diplomacia brasileira, portanto, trabalha com a expectativa de que esse posicionamento norte-americano seja mantido, ao menos no curto prazo.

A estratégia do governo brasileiro, neste momento, é evitar gestos políticos sem resultados concretos e preservar a negociação técnica com os Estados Unidos como principal canal para tratar dos temas comerciais e diplomáticos em discussão.

Com informações Brasil 247

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