A participação chinesa pode levar a disputa para o campo técnico e comercial, reduzindo o peso político e eleitoral das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, avalia especialista.
A China formalizou pedido para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Para a analista internacional Amanda Harumy, a entrada chinesa fortalece a estratégia brasileira de recorrer às instituições multilaterais e pode alterar o rumo da disputa.
O Brasil acionou a OMC para questionar o chamado tarifaço norte-americano. Os Estados Unidos sinalizaram que responderão ao organismo, embora o governo de Donald Trump negue que esteja ocorrendo uma negociação propriamente dita. Para Harumy, a movimentação já é relevante porque demonstra que existem diferentes interesses e interpretações em torno das medidas tarifárias.
Segundo a especialista, as tarifas também produzem efeitos sobre a própria economia dos Estados Unidos. Nesse contexto, a participação da China acrescenta um importante componente geopolítico à discussão e reforça o papel da OMC como espaço para tratar conflitos comerciais.
Disputa pode ganhar caráter mais técnico
Na avaliação de Amanda Harumy, Brasil e China buscam fortalecer o multilateralismo ao recorrerem à OMC. A especialista destaca que a China, atualmente uma das principais potências econômicas do mundo, passou a reivindicar espaço dentro de uma instituição que historicamente esteve associada à defesa do livre comércio.
A analista considera que a presença chinesa pode ajudar a deslocar a discussão das questões políticas relacionadas às eleições brasileiras para um debate mais técnico sobre comércio internacional. Um eventual painel com participação dos dois países poderia, portanto, reduzir o peso eleitoral atribuído às tarifas.
Harumy também ressalta que a própria OMC enfrenta dificuldades para funcionar plenamente, especialmente devido à obstrução do sistema de solução de controvérsias pelos Estados Unidos desde 2019. Ainda assim, ela defende a continuidade da pressão diplomática e o uso das instituições multilaterais.
A especialista avalia que a política de Washington em relação à América Latina permanece marcada por pressão comercial, política e comunicacional. Nesse cenário, a aproximação entre Brasil e China na OMC representa mais um capítulo da disputa pela reorganização das relações internacionais e pelo fortalecimento de alternativas ao predomínio norte-americano.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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