Declarações do governo Trump e referências à Venezuela reforçam sinais de uma política externa voltada a ampliar a influência dos Estados Unidos na região, avalia cientista social.
O governo dos Estados Unidos voltou a recorrer à Doutrina Monroe em sua política para a América Latina. Em uma publicação do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, Washington afirmou que o domínio norte-americano sobre o continente não deverá mais ser questionado e fez referência ao caso envolvendo o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A manifestação foi interpretada pelo cientista social Gustavo Menon, professor da Universidade Católica de Brasília e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo, como parte de uma ofensiva para ampliar a influência dos Estados Unidos sobre governos latino-americanos.
Segundo Menon, a política externa de Donald Trump representa uma tentativa de reorganizar a correlação de forças na região, inclusive por meio de pressões políticas, econômicas e eleitorais. O especialista também aponta a disputa pela influência econômica com a China como um dos elementos centrais dessa estratégia.
Eleições brasileiras ganham importância estratégica
Na avaliação do cientista social, as eleições brasileiras de 2026 devem ocupar posição estratégica na disputa pela influência política na América Latina. Menon considera que o resultado do pleito poderá interferir diretamente na correlação de forças entre diferentes projetos políticos na região.
O especialista cita ainda a atuação norte-americana em processos eleitorais recentes de países latino-americanos e aponta a aproximação de governos de direita e extrema direita com a política externa de Washington.
A chamada Doutrina Monroe, formulada no século XIX, historicamente defendeu a ideia de que as potências europeias não deveriam interferir nos assuntos das Américas. Ao longo do tempo, porém, o conceito também passou a ser associado à defesa de uma área de influência privilegiada dos Estados Unidos no continente.
A retomada do discurso ocorre em um cenário de disputas geopolíticas envolvendo Estados Unidos, China e governos latino-americanos. Para Menon, a pressão sobre os países da região tende a aumentar, especialmente sobre aqueles que mantêm maior autonomia em relação a Washington.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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