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A vingança do ajudante humilhado pelos Bolsonaros

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“O delator do Planalto, tratado com desprezo e abandonado pela família golpista, conseguiu escapar quase ileso”, escreve Moisés Mendes

O coronel Mauro Cid compartilhou com amigos as humilhações que sofria como ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid deixou registrado, em mensagens encontradas em seu celular, seus ressentimentos com Michelle Bolsonaro.

Michelle o tratava como mandalete do palácio, enquanto ele fazia o serviço de leva e traz de informações entre os golpistas e Bolsonaro. Cid ajudava em tudo, dos rolos com as joias das arábias às fraudes com cartões de vacina.

Pois o coronel que Michelle havia transformado em seu auxiliar de serviços gerais conseguiu agora o improvável. Vingou-se de todos eles. É o único dos seis militares condenados pela Primeira Turma do STF que não pegará cadeia.

Cid também será o único que não corre o risco de perder a condição de militar, pena que deve ser imposta aos outros seis, incluindo Bolsonaro, por julgamentos que acontecerão no Superior Tribunal Militar.

Os delegados Anderson Torres e Alexandre Ramagem, os dois civis do núcleo crucial, também como criminosos condenados, devem ser exonerados da Polícia Federal.

Ramagem, deputado federal do PL, deve, como determina a lei, perder o mandato – o que só não acontecerá se a direita na Câmara, como vem anunciando, decidir afrontar a decisão do STF.

Mauro Cid não pegará cadeia por ter sido condenado a dois anos de reclusão em regime aberto. A pena é branda como retribuição ao fato de que ele foi delator e denunciou o encadeamento de ações e os personagens que mantinham as estruturas do golpe.

Como a pena é pequena, também não deve ser submetido a julgamento do STM, como acontecerá com todos os outros militares. Cid, o primeiro oficial implicado publicamente no golpe, pela condição de delator, e o mais visado de todos eles, conseguiu escapar.

Foi abandonado pela família que o humilhava. Foi tratado como ex-militar, em recados que os Bolsonaros mandavam pelos jornalões, para que desistisse da delação.

E chegou a ser considerado um dos possíveis fujões, quando levantaram a hipótese de que tinha um plano para se esconder fora do país.

Mauro Cid é o único dos oito réus que pode comemorar. Logo ele, que o ministro Luiz Fux viu como criminoso, enquanto absolvia Bolsonaro, como se o coronel pudesse ser ajudante dele mesmo nas tarefas golpistas.

Fux pediu a condenação de Cid, depois de desqualificá-lo como delator, e também decidiu que Braga Netto era golpista. Esse último porque não haveria como livrar da condenação, por ter articulado o plano para matar seu colega Alexandre de Moraes. Seria demais.

Fux livrou todos os outros seis réus, porque não viu prova de crimes. Mas sacrificou Cid, que já havia se autoincriminado. Não havia como considerá-lo inocente.

Mas Cid também não será obrigado a compartilhar o pagamento, por todos os réus do golpe, incluindo os invasores do 8 de janeiro, de uma multa indenizatória coletiva fixada em R$ 30 milhões.

O coronel se vingou dos que o trataram como se fosse apenas o cabo do jipe do golpe fracassado.

Com Informações brasil247

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