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Indígenas recebem áudios com ameaças de invasão a território caso Flávio Bolsonaro vença as eleições

Foto: Reprodução

Ceilândia em Alerta — Indígenas do povo Parakanã, que vivem na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no Pará, receberam áudios com ameaças de invasão ao território caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. As mensagens, obtidas pela Folha de S.Paulo e divulgadas pelo Jornal de Brasília nesta segunda-feira (12/10), indicam que fazendeiros estariam planejando ocupar a área protegida após a votação.

O material reúne oito gravações encaminhadas por WhatsApp a integrantes das comunidades indígenas. Por razões de segurança, a reportagem original não divulgou a transcrição dos áudios nem a identidade dos envolvidos.

Segundo a apuração, as mensagens mencionam a intenção de instalar fazendas no território e expressam a expectativa de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, junto ao governo estadual eleito do Pará, favoreça a retirada da proteção da área. Não há comprovação de participação do candidato ou do governador eleito na elaboração das ameaças.

Governo federal reforça monitoramento

As ameaças foram discutidas em uma reunião do Comitê de Desintrusão do governo federal. A Polícia Federal (PF), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério dos Povos Indígenas acompanham a situação.

O Ministério dos Povos Indígenas informou que monitora o aumento da pressão para a ocupação ilegal do território. Segundo a pasta, foram deliberadas medidas para reforçar a segurança, ampliar o efetivo mobilizado e prevenir novas invasões.

A investigação sobre as mensagens e a identificação dos responsáveis cabem às autoridades policiais. O Ibama também informou acompanhar indícios de mobilização para retomada de atividades ilegais em outras áreas protegidas da Amazônia.

A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada pela Folha de S.Paulo, mas não havia respondido até a publicação da reportagem original. A gestão estadual do Pará também foi consultada, e o governador eleito Dr. Daniel (Podemos) informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria o caso.

Terra indígena tem histórico de conflitos e desmatamento

Homologada em 2007, a Terra Indígena Apyterewa possui aproximadamente 773 mil hectares e abriga mais de mil indígenas Parakanã. O território enfrenta um histórico de invasões, conflitos fundiários e desmatamento.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citados pela Folha, mostram que a área desmatada passou de 18,9 quilômetros quadrados em 2018 para 85,3 quilômetros quadrados em 2019. Em 2022, chegou a 102,2 quilômetros quadrados. Em 2023, o índice caiu para 20,6 quilômetros quadrados.

As operações de desintrusão, destinadas a retirar ocupantes ilegais, começaram em 2023 e enfrentaram resistência. A região registrou episódios violentos, incluindo ataques contra servidores públicos e destruição de estruturas usadas para dificultar a fiscalização.

Incêndios aumentam preocupação das autoridades

Nas últimas semanas, os focos de incêndio na região também cresceram. Dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu apontaram 41 focos em julho, 626 em agosto e 1.007 em setembro.

Investigadores suspeitam que parte das queimadas possa ter sido provocada deliberadamente, mas a autoria ainda depende de apuração.

Além das ameaças, relatos recebidos pelas lideranças indígenas mencionam maior circulação de motocicletas e caminhonetes nas proximidades do território e a compra de materiais que poderiam ser utilizados para iniciar novas ocupações.

As autoridades seguem monitorando a área diante do risco de invasão e da necessidade de proteger as comunidades indígenas e impedir novas ocupações ilegais.

Fonte: Jornal de Brasília

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