Ceilândia em Alerta — Celebrado em 12 de outubro, o Dia de Nossa Senhora Aparecida marca uma das principais datas do calendário religioso brasileiro. A devoção teve origem em 1717, quando três pescadores encontraram uma imagem de barro no Rio Paraíba do Sul, no interior de São Paulo. Mais de três séculos depois, a santa é reconhecida oficialmente pela Igreja Católica como padroeira do Brasil.
A história começou quando Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves tentavam pescar para abastecer a comitiva de Dom Pedro de Almeida e Portugal, o conde de Assumar, então governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Após várias tentativas sem sucesso, João Alves retirou das águas uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Na tentativa seguinte, os pescadores encontraram a parte que faltava.
Segundo a tradição católica, depois de recuperar a imagem, o grupo voltou a lançar as redes e conseguiu uma quantidade abundante de peixes. O episódio foi interpretado pelos fiéis como o primeiro milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora Aparecida.
Feita de barro cozido, com aproximadamente 40 centímetros de altura, a imagem permaneceu por cerca de 15 anos na casa de Felipe Pedroso. A notícia sobre o achado se espalhou pela região, e moradores passaram a se reunir no local para rezar. Com o crescimento da devoção, foi construído um oratório e, em 1734, uma capela no Morro dos Coqueiros.
Coroação e reconhecimento como padroeira
A devoção ganhou ainda mais força ao longo do século 19. Em 1868, a princesa Isabel visitou a igreja dedicada à santa e fez uma promessa relacionada à maternidade. Na inauguração do templo, em 1888, entregou uma coroa de ouro com diamantes e rubis e um manto azul bordado.
Em 1904, a imagem foi coroada oficialmente em uma cerimônia religiosa. O reconhecimento definitivo como padroeira do Brasil veio em 16 de julho de 1930, quando o papa Pio XI concedeu o título a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Em 1980, a Lei nº 6.802 estabeleceu o dia 12 de outubro como feriado nacional dedicado à santa. Desde então, a data reúne celebrações religiosas, peregrinações e homenagens em diferentes regiões do país.
Imagem foi restaurada após ser quebrada
A trajetória da imagem também foi marcada por um episódio de vandalismo. Em 16 de maio de 1978, a peça foi retirada de seu nicho no santuário e acabou caindo durante uma tentativa de fuga, fragmentando-se em quase 200 pedaços.
A restauração ficou a cargo da artista plástica Maria Helena Chartuni, no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Depois do trabalho, a imagem original retornou ao Santuário Nacional de Aparecida, onde permanece protegida por um vidro blindado.
Boatos eleitorais reacendem debate sobre o título
Em 2026, Nossa Senhora Aparecida também entrou no debate político durante a campanha presidencial. Uma publicação falsa que circulou nas redes sociais afirmava que o candidato Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito.
A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal, com decisões judiciais divergentes sobre a retirada de publicações da internet. O episódio retomou uma discussão antiga: em 2007, um projeto de lei propôs restringir o título de padroeira aos católicos brasileiros, mas a proposta não avançou e foi arquivada em 2008.
A atribuição de títulos religiosos é uma prerrogativa da Igreja Católica, exercida pelo papa. Já a definição de feriados nacionais cabe às autoridades civis. Assim, uma eventual mudança na legislação sobre o feriado não retiraria, por si só, o título religioso concedido à santa.
Atualmente, o Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, é um dos principais destinos de peregrinação do país e recebe milhões de fiéis todos os anos.
Fonte: Jornal de Brasília



