Ceilândia em Alerta — O Partido Liberal (PL) publicou, em seu canal oficial no WhatsApp, uma peça de divulgação política com semelhanças visuais a uma propaganda utilizada durante o regime fascista de Benito Mussolini, na Itália, em 1934. O material apresentava o rosto do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em preto e branco, acompanhado da expressão “Tropa do Flávio”, repetida ao fundo.
A publicação foi divulgada na quinta-feira (8) e convidava apoiadores a participar de um grupo de WhatsApp voltado à mobilização eleitoral em torno do candidato. A semelhança com a imagem histórica repercutiu nas redes sociais e foi noticiada por veículos de imprensa.
A referência visual remete à fachada do Palazzo Braschi, em Roma, que abrigava a Federação Fascista. Em 1934, uma imagem monumental de Mussolini foi instalada no edifício, acompanhada pela palavra “Sì” — “sim”, em italiano — repetida diversas vezes. A peça estava relacionada a um plebiscito realizado durante o regime fascista, em um contexto sem competição eleitoral democrática efetiva.
Partido retirou publicação e pediu desculpas
Após a repercussão, a imagem foi removida do canal oficial do partido. Em nota, o Partido Liberal Jovem (PLJ), responsável pela produção do material, afirmou que a peça havia sido inspirada em trabalhos gráficos antigos e negou a intenção de fazer referência ao fascismo.
A legenda também pediu desculpas pelo que classificou como um equívoco e por possíveis interpretações decorrentes da semelhança. A justificativa do partido não elimina a correspondência visual apontada entre as duas imagens, mas a intenção dos responsáveis não pode ser determinada apenas pela comparação estética.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, o canal oficial do PL no WhatsApp reunia cerca de 22 mil participantes, enquanto o grupo “A Tropa do Flávio” tinha mais de 250 mil integrantes.
Propaganda fascista marcou a ditadura de Mussolini
Benito Mussolini governou a Itália de forma autoritária e liderou o regime fascista, marcado pela perseguição a opositores, pela restrição das liberdades políticas e pela concentração de poder. A propaganda visual era um instrumento importante do regime, que recorria à exaltação do líder e à repetição de símbolos e palavras de ordem para construir uma imagem de unidade em torno do ditador.
A controvérsia envolvendo a peça do PL ganhou dimensão política por ocorrer durante a campanha presidencial de 2026. O episódio levantou questionamentos sobre as referências históricas utilizadas na comunicação eleitoral e sobre a responsabilidade dos partidos na produção de materiais de divulgação.
Embora o PL tenha negado a intenção de reproduzir a propaganda fascista, a semelhança entre as composições foi registrada por diferentes veículos de imprensa. O caso também reacendeu o debate sobre a utilização de símbolos associados a regimes autoritários na disputa política brasileira.
Fonte: Vermelho



