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Rússia diz que resultado das eleições na Hungria não afetará conflito na Ucrânia

Com a derrota de Viktor Orbán, cresce a incerteza sobre o bloqueio húngaro ao empréstimo da UE destinado à Ucrânia

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O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, comentou o resultado das eleições na Hungria no último domingo (12) e afirmou que a votação não afetará o conflito na Ucrânia. “Não creio que isso tenha qualquer relação com o futuro do conflito russo-ucraniano. São processos provavelmente diferentes. Portanto, não vejo nenhuma ligação”, disse a jornalistas nesta segunda-feira (13).

De acordo com ele, a Rússia defende a continuidade dos contatos pragmáticos entre Moscou e Budapeste. Peskov também reforçou o respeito ao resultado das eleições húngaras. “A Hungria fez sua escolha e nós a respeitamos”, completou.

O pleito húngaro ficou marcado pela derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán, após 16 anos no poder, e a vitória de Peter Magyar. Orbán era visto como uma figura próxima aos interesses de Moscou e, consequentemente, um obstáculo da União Europeia no apoio à Ucrânia e na aprovação de sanções contra a Rússia.

Em particular, sob o governo de Orbán, Budapeste recentemente bloqueou a 20ª rodada de sanções contra Moscou e um empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia para a Ucrânia após Kiev interromper o trânsito de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia pelo gasoduto Druzhba.

Nesse contexto, Peskov afirmou que a Rússia continuará sendo um dos fornecedores de energia mais confiáveis ​​do mundo, inclusive para a Hungria. Ao comentar os possíveis efeitos da troca no poder húngaro sobre o bloqueio do empréstimo da UE para a Ucrânia, o porta-voz da presidência russa declarou que “essa é uma decisão que será tomada em Bruxelas”.

“Acreditamos que quaisquer ações que continuem ou alimentem as aspirações militaristas e pró-guerra do regime de Kiev são passos que não contribuem para a busca de uma solução pacífica”, disse Peskov. “No entanto, os europeus não escondem sua posição geral de continuar esta guerra, de fazer tudo o que puderem para facilitar sua continuação”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, Peskov observou que a Rússia deseja continuar construindo boas relações com a Hungria. “Ouvimos declarações, especialmente sobre a disposição para o diálogo. Naturalmente, isso será benéfico tanto para Moscou quanto para Budapeste. […] Repito, temos interesse em construir relações proveitosas com a Hungria, assim como com todos os países europeus”, afirmou.

Peskov observou que, embora a Rússia ainda não tenha visto reciprocidade por parte dos países europeus, expressou a disposição de dialogar.

Com 98,9% dos votos apurados, o partido Tisza conquistou 138 das 199 cadeiras (sendo necessárias 133). O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cujo partido Fidesz obteve 55 cadeiras, reconheceu a derrota nas eleições parlamentares do país, mas declarou que continuará atuando na política e servindo ao país na oposição.

Após a vitória, o líder do partido Tisza, Péter Magyar, declarou que a Hungria deveria iniciar negociações com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele também destacou a dependência da Hungria em relação à Rússia no setor energético.

“Teremos que nos sentar à mesa com o presidente russo. A posição geográfica da Rússia e da Hungria não mudará”, disse Magyar.

*Com informações do Brasil de Fato

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