13 de Maio não repara o futuro!

Uma das lutas históricas do movimento negro brasileiro é a disputa pela memória pública: renomear ruas, avenidas, praças e demais espaços públicos que homenageiam figuras, datas e símbolos ligados à escravidão e ao racismo, substituindo-os por referências que expressem a luta, a resistência e a contribuição histórica do povo negro.

No Recife, ainda na década de 1980, o Movimento Negro Unificado de Pernambuco (MNU/PE) levantou, através de atos e mobilizações, a proposta de renomear o Parque 13 de Maio, localizado no centro da cidade, para Parque 20 de Novembro.

Em 2026, a Articulação Negra de Pernambuco (ANEPE) resgata essa reivindicação histórica e volta a defender que o espaço passe a se chamar Parque 20 de Novembro.

Mas por que mudar o nome do parque?

Porque o dia 13 de Maio não representa liberdade para o povo negro brasileiro. Embora tenha sido nessa data, em 1888, que foi assinada a chamada Lei Áurea, a abolição formal da escravidão não significou uma libertação real da população negra. O Estado brasileiro aboliu a escravidão sem garantir terra, trabalho digno, moradia, educação ou qualquer política de reparação para milhões de pessoas negras que haviam sido sequestradas de África, escravizadas e exploradas por séculos.

Após a abolição, a população negra foi lançada à própria sorte. Expulsa dos espaços centrais das cidades, passou a ocupar morros, periferias e favelas, sobrevivendo em condições precárias e submetida à violência, à marginalização e aos subempregos.

Ao mesmo tempo, o próprio Estado brasileiro perseguiu violentamente as formas de existência e resistência negra, criminalizando manifestações culturais como a capoeira e reprimindo religiões de matriz africana, como o candomblé.

Essa lógica permanece viva até hoje.

O racismo estrutural segue organizando a sociedade brasileira através da violência policial contra a juventude negra, do encarceramento em massa, das desigualdades sociais e da tentativa permanente das elites de impedir políticas de reparação histórica e garantia de direitos.

Apesar disso, o povo negro jamais aceitou passivamente a opressão. Desde a invasão colonial e da escravização de povos africanos, homens e mulheres negras construíram revoltas, fugas, insurreições e quilombos em defesa da liberdade. O maior símbolo dessa resistência foi o Quilombo dos Palmares, que resistiu por quase um século às investidas militares do Estado colonial.

É dessa história de luta que nasce o significado do 20 de novembro.

A data marca o assassinato de Zumbi dos Palmares, em 1695, e simboliza a resistência negra contra a escravidão e o racismo. Ao lado de Dandara e de tantos outros guerreiros e guerreiras negras, Zumbi representa a luta coletiva por liberdade, dignidade e justiça.

Por isso, o 20 de novembro não celebra uma falsa liberdade concedida pela monarquia. Ele afirma a resistência construída pelo próprio povo negro. Renomear o Parque 13 de Maio para Parque 20 de Novembro significa disputar os símbolos da cidade e afirmar quais histórias merecem ser lembradas e homenageadas nos espaços públicos.

Para a ANEPE, essa mudança representa um gesto de reparação histórica, reconhecimento político e valorização da memória de luta do povo negro pernambucano e brasileiro.

Neste contexto, a ANEPE convoca a militância negra e toda a sociedade pernambucana para participar da atividade em parceria com o Afoxé Oyá Alaxé no dia 21 de maio, das 9h às 12h, numa ocupação do Pátio de São Pedro, território histórico da luta negra pernambucana. Em breve divulgaremos mais informações. 

“13 de Maio, não! 20 de Novembro, sim!”.

Formação política, cultura negra e ocupação do espaço público em defesa da memória, da justiça racial e da luta do povo negro.

*Com informações do Brasil de Fato

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