O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos confirmem, nos próximos dias, a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida está sendo analisada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que investiga supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.
Apesar de as negociações diplomáticas continuarem em andamento, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que as chances de reverter a decisão são pequenas. Na última semana, Lula reuniu-se com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para discutir os possíveis desdobramentos da decisão, prevista para ser anunciada nos próximos dias.
Governo trabalha com dois cenários
A principal hipótese considerada pelo Planalto é a confirmação da taxação sobre exportações brasileiras, restando apenas a definição sobre o percentual e quais setores serão atingidos.
Em junho, a investigação conduzida pelo USTR sugeriu uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O processo tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e inclui questionamentos relacionados ao comércio digital, uso do Pix, proteção à propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate ao desmatamento ilegal e políticas de etanol.
Mesmo após apresentar argumentos técnicos e propostas de cooperação, integrantes do governo brasileiro acreditam que os negociadores norte-americanos não devem modificar substancialmente a posição já adotada.
O próprio representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou recentemente que ainda existe uma grande distância entre os dois governos e indicou que uma decisão definitiva está próxima.
Brasil apresentou propostas
Na tentativa de evitar o chamado “tarifaço”, o governo brasileiro encaminhou aos Estados Unidos um conjunto de propostas para reforçar mecanismos de controle em áreas apontadas pela investigação americana.
O documento prevê avanços em temas como comércio digital, combate à corrupção, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, etanol e preservação ambiental. Segundo integrantes do governo, o objetivo é demonstrar que essas questões não provocam prejuízos à economia norte-americana.
O sistema de pagamentos Pix, entretanto, permanece fora das negociações. O governo considera o tema inegociável e afirma que não pretende discutir mudanças relacionadas à ferramenta financeira.
Possibilidade de adiamento é considerada remota
Um segundo cenário analisado pelo Palácio do Planalto seria um eventual adiamento da aplicação das tarifas. Essa hipótese, porém, é vista como improvável.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que setores da administração norte-americana acompanham o cenário político brasileiro e que fatores políticos também podem influenciar a decisão final.
Na última semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou, em Washington, de debates sobre o tema e defendeu que a adoção das tarifas fosse adiada, argumentando que a medida poderia favorecer eleitoralmente o presidente Lula.
A manifestação foi criticada pelo governo federal. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou haver diferença entre fazer oposição ao governo e agir contra os interesses do país.
Governo aguarda decisão
Enquanto a definição não é anunciada, a orientação do presidente Lula é manter abertas as negociações diplomáticas. Somente após a divulgação da decisão oficial pelos Estados Unidos o governo brasileiro deverá anunciar quais medidas pretende adotar em resposta às novas tarifas, caso elas sejam confirmadas.
📰 Fonte: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
Informação com responsabilidade, credibilidade e compromisso com os fatos.



