Flávio Bolsonaro e o fim da escala 6×1 voltam ao centro do debate eleitoral. Senador anuncia apoio à PEC que reduz a jornada de trabalho, mas mantém defesa de regras mais flexíveis de contratação.
Ceilândia em Alerta – O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou, nesta terça-feira (13), que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração representa uma mudança em relação à postura adotada nas últimas semanas, quando o parlamentar criticava a iniciativa e questionava o momento escolhido para sua votação.
O anúncio foi feito após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. Em conversa com jornalistas, Flávio afirmou que apoiará a redução da jornada semanal de trabalho, embora continue defendendo um modelo alternativo baseado na negociação entre trabalhadores e empregadores.
A discussão sobre Flávio Bolsonaro e o fim da escala 6×1 ganhou destaque na reta final da campanha presidencial. O segundo turno, disputado entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está marcado para 25 de outubro.
Até então, Flávio havia classificado como oportunista a tentativa de votar a proposta durante o período eleitoral. Também evitava declarar expressamente seu voto sobre o texto em tramitação no Senado.
A nova posição foi anunciada um dia antes da votação em primeiro turno prevista para quarta-feira (14).
Flávio Bolsonaro e o fim da escala 6×1: o que mudou?
A principal mudança foi o anúncio de voto favorável à PEC 221/2019, que pretende substituir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso por um modelo com dois dias de folga semanal.
A proposta estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.
Anteriormente, Flávio Bolsonaro defendia principalmente uma alternativa que permitisse ao trabalhador negociar diretamente com a empresa sua carga horária e a distribuição dos dias de serviço.
Essa proposta de flexibilização continua sendo defendida pelo senador, mesmo após o anúncio de apoio à PEC.
Durante a declaração desta terça-feira, Flávio argumentou que diferentes situações familiares e profissionais exigem possibilidades variadas de organização do trabalho. Ele citou como exemplos pessoas que trabalham em casa e mães que precisam conciliar a atividade profissional com o cuidado dos filhos.
O candidato também manifestou preocupação com os custos da redução da jornada para as empresas.
Segundo ele, o governo federal deveria compensar eventuais despesas adicionais decorrentes da mudança, especialmente em atividades que precisariam contratar mais funcionários para manter o funcionamento.
A proposta de compensação, entretanto, não veio acompanhada de uma estimativa detalhada de custos ou da indicação de uma fonte específica de financiamento.
Assim, embora tenha anunciado voto favorável à redução da jornada, Flávio mantém diferenças em relação ao modelo defendido pelo governo Lula.
Senado deve votar proposta nesta quarta-feira
A PEC que trata do fim da escala 6×1 está prevista para votação em primeiro turno no Senado nesta quarta-feira (14).
O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e precisa receber o apoio de pelo menos 49 senadores em cada um dos dois turnos de votação.
Se aprovada sem alterações que exijam nova análise da Câmara, a proposta poderá seguir para promulgação após a conclusão das etapas legislativas.
O governo Lula defende a redução da jornada como uma medida para ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores, sem perda de remuneração.
Já representantes de setores empresariais manifestam preocupação com possíveis impactos sobre os custos de contratação e a organização das atividades econômicas.
Paralelamente, integrantes da oposição defendem propostas de flexibilização das relações de trabalho, incluindo a possibilidade de contratos com remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas.
A mudança de posicionamento de Flávio ocorre em meio à disputa eleitoral em torno do tema. No domingo (11), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão de anúncios pagos da campanha de Lula que apresentavam Flávio como contrário ao fim da escala 6×1.
A decisão tratou da regularidade da propaganda eleitoral e não definiu o mérito da proposta trabalhista.
Com a nova declaração, Flávio Bolsonaro passa a afirmar publicamente que apoiará a PEC em votação, mas preserva sua defesa de maior flexibilidade nas jornadas.
O fim da escala 6×1 ainda depende da aprovação definitiva do Congresso Nacional. A manifestação de voto de um senador, mesmo sendo candidato à Presidência, não altera por si só as regras trabalhistas atualmente em vigor.
🔍 Fontes: Brasil de Fato | Folha de S.Paulo | Agência Brasil



