Investigação sobre Ibaneis Rocha e Banco Master revela mensagens, reunião na Suíça e suspeitas de interferência política em decisões do banco público. Defesa do ex-governador nega irregularidades.
Ceilândia em Alerta – A Polícia Federal (PF) apontou a possível participação direta do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) nas articulações que envolveram a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As informações constam de um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 28 de setembro, cujo sigilo foi retirado na sexta-feira (9).
Segundo os investigadores, Ibaneis teria exercido influência sobre decisões estratégicas da instituição financeira pública, ultrapassando as atribuições normalmente relacionadas à condição de representante do acionista controlador.
A investigação sobre Ibaneis Rocha e Banco Master se baseia, entre outros elementos, em mensagens recuperadas dos celulares de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
Para a Polícia Federal, as comunicações indicam que determinadas decisões eram submetidas previamente à avaliação do então governador, antes mesmo de passarem pelas instâncias formais de governança do banco.
Os investigadores apontam possíveis interferências em quatro áreas: aumento de capital do BRB, estratégia de expansão da instituição, articulações com agentes privados e validação de decisões operacionais consideradas relevantes.
A defesa de Ibaneis contesta essa interpretação e afirma que o ex-governador não pressionou dirigentes nem interferiu nas operações realizadas pelo banco.
Ibaneis Rocha e Banco Master: reunião na Suíça integra investigação
Um dos episódios destacados pela Polícia Federal ocorreu em janeiro de 2025, quando Ibaneis Rocha participou de uma reunião em Zurique, na Suíça, com Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
Segundo o relatório, em 20 de janeiro daquele ano, o então presidente do BRB informou a Vorcaro que o governador havia solicitado o agendamento de um encontro.
A reunião aconteceu em 23 de janeiro e é considerada pelos investigadores um momento importante nas tratativas para a aquisição do Banco Master.
Entretanto, a PF aponta que os movimentos preparatórios para a operação começaram antes disso.
Em outubro de 2024, o BRB realizou uma operação de colocação de ações no mercado com o objetivo de captar até R$ 1 bilhão e ampliar seu capital social.
Na avaliação dos investigadores, essa iniciativa estava relacionada à estratégia financeira que posteriormente permitiria a tentativa de aquisição do Master.
O relatório também examina a participação de Ibaneis na definição de estratégias de expansão e na autorização de medidas relacionadas ao capital da instituição.
Para a Polícia Federal, o conjunto das mensagens e decisões indica uma possível concentração de influência política sobre a administração do BRB.
A investigação utiliza o conceito de captura institucional para descrever a suspeita de que mecanismos de decisão do banco teriam sido direcionados a interesses específicos, em prejuízo dos princípios de impessoalidade e interesse público.
Essa é uma interpretação apresentada pelos investigadores e ainda depende da avaliação das autoridades judiciais competentes.
Operações bilionárias entre BRB e Master também são investigadas
A tentativa de aquisição do Banco Master ocorreu paralelamente a operações de compra de carteiras de crédito realizadas pelo BRB.
Segundo a Polícia Federal, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o banco público adquiriu aproximadamente R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Master.
Em um período mais amplo, as operações entre as instituições alcançaram valores ainda maiores, tornando-se objeto de investigação sobre possíveis irregularidades financeiras.
A proposta de aquisição foi anunciada publicamente em março de 2025 e posteriormente passou pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Em agosto daquele ano, os deputados distritais aprovaram uma autorização legislativa para a operação. Entretanto, o Banco Central rejeitou a aquisição em setembro de 2025.
A decisão impediu a conclusão da compra, mas não encerrou as investigações sobre as movimentações financeiras anteriores.
A Polícia Federal passou a examinar a origem e a qualidade dos ativos negociados, além da atuação de dirigentes e outros participantes das operações.
O caso também levantou questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização e governança do BRB, instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal.
Defesa nega interferência
Em manifestação divulgada à imprensa, os advogados de Ibaneis Rocha afirmaram que o ex-governador não exerceu pressão sobre a administração do BRB.
Segundo a defesa, Paulo Henrique Costa possuía autonomia para conduzir as negociações em nome da instituição financeira.
Os advogados também argumentam que os contatos entre o então governador e a presidência do banco ocorreram em contexto institucional, considerando as responsabilidades de cada um.
A defesa ressalta ainda que Ibaneis não aparece como interlocutor direto nas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa analisadas no relatório.
Para os representantes do ex-governador, as referências ao seu nome não são suficientes para demonstrar participação em irregularidades.
As conclusões apresentadas pela Polícia Federal, portanto, são contestadas pela defesa e ainda estão sujeitas à análise judicial.
A investigação amplia os questionamentos sobre a tentativa de compra do Banco Master e sobre a participação de agentes públicos nas decisões de uma instituição financeira controlada pelo Distrito Federal.
O esclarecimento das responsabilidades dependerá da análise das provas reunidas, da manifestação dos investigados e das decisões das autoridades competentes.
🔍 Fontes: Brasil de Fato | CNN Brasil | Metrópoles



