Daniel Vorcaro e rede de prostituição são alvos de investigação que envolve investimentos milionários, agência de modelos, mulheres estrangeiras e eventos privados frequentados por autoridades.
Ceilândia em Alerta – O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de participação no financiamento e na organização de uma rede internacional de prostituição. Mensagens obtidas pelos investigadores e reveladas pelo UOL apontam investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões em uma estrutura que recrutava mulheres para festas privadas no Brasil e no exterior.
A investigação sobre Daniel Vorcaro e a rede de prostituição envolve uma agência de modelos, intermediários responsáveis pelo recrutamento de mulheres e empresas utilizadas para custear viagens, hospedagens e eventos.
Entre as mulheres mencionadas nas conversas estão brasileiras e estrangeiras de países como Ucrânia, Rússia, Venezuela, Argentina e Polônia. Algumas estavam em situação de vulnerabilidade, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia.
De acordo com as mensagens divulgadas, Vorcaro não atuaria apenas como contratante dos serviços. Os registros indicam que ele participava da seleção das mulheres, autorizava pagamentos e dava orientações aos responsáveis pela organização dos encontros.
A Polícia Federal abriu um inquérito em maio de 2026 para investigar possíveis crimes relacionados à exploração da prostituição e ao tráfico internacional de pessoas.
As suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e da avaliação das autoridades judiciais.
Daniel Vorcaro e rede de prostituição: agência de modelos está sob investigação
Um dos principais elementos identificados nas mensagens é a negociação para aquisição de parte da agência de modelos Allure Eventos.
Em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu uma minuta de contrato para adquirir 50% da empresa por R$ 1,5 milhão.
Segundo os registros, o negócio teria sido intermediado pelo promotor de eventos Diogo Batista, que recebia aproximadamente R$ 120 mil mensais do empresário.
Mensagens de janeiro de 2024 indicam que o contrato teria sido assinado e que pagamentos foram realizados por meio de uma empresa ligada a Vorcaro.
Entretanto, Felipe Nisti Cataldo, proprietário da Allure, afirmou ao UOL que o empresário demonstrou interesse na aquisição, mas negou que a negociação tenha sido concluída.
A reportagem também identificou um pagamento de R$ 500 mil destinado a Nisti. Questionado, ele declarou que precisaria verificar a origem e a finalidade da transferência.
Além de Diogo Batista, a investigação menciona Leonardo Serrano, empresário ligado à SL Consulting, companhia sediada na Flórida, nos Estados Unidos.
Serrano seria responsável pela logística internacional dos eventos, incluindo passagens aéreas, hospedagens e pagamentos relacionados à contratação das mulheres.
As conversas indicam que a estrutura organizava encontros em cidades como São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai.
Segundo o UOL, foram localizadas 21 faturas emitidas pela SL Consulting entre abril de 2024 e março de 2025, totalizando aproximadamente US$ 70 milhões em despesas descritas como serviços de eventos, hospitalidade, hospedagem e fretamentos.
Esse montante corresponde ao valor global das faturas identificadas, não podendo ser tratado integralmente como gasto comprovado com prostituição.
Recrutamento de refugiadas e participação de autoridades
Um dos aspectos mais graves apontados na investigação é o recrutamento de mulheres estrangeiras em situação de vulnerabilidade.
Mensagens divulgadas pela imprensa mencionam jovens ucranianas que haviam deixado seu país em consequência da guerra.
Os diálogos também apresentam referências depreciativas às mulheres e expressões que sugerem relações de controle e submissão.
Em determinadas conversas, os intermediários discutem a seleção de mulheres mais jovens, a organização de viagens e as condições para participação nos eventos privados.
A investigação busca esclarecer se houve exploração sexual, obtenção de vantagens econômicas por terceiros e eventuais situações de violência, ameaça ou coação.
No Brasil, o exercício voluntário da prostituição por pessoas adultas não constitui crime. Entretanto, determinadas formas de exploração por terceiros, como o favorecimento da prostituição mediante exploração econômica, podem configurar infrações penais.
O tráfico de pessoas também é crime quando estão presentes os elementos previstos na legislação, incluindo violência, grave ameaça, coação, fraude ou abuso.
A existência de mulheres estrangeiras em festas, por si só, não comprova tráfico internacional. Essa possibilidade precisa ser demonstrada pela investigação.
As mensagens analisadas também fazem referência a encontros com autoridades e figuras públicas.
O portal Vermelho menciona registros envolvendo políticos como Fábio Faria, Ciro Nogueira e Hugo Motta, além de referências ao ministro Kassio Nunes Marques em contextos relacionados a eventos.
A presença de nomes em mensagens ou listas de convidados não significa participação em crimes. Eventuais responsabilidades individuais precisam ser comprovadas por elementos específicos.
Relação com Flávio Bolsonaro aparece na repercussão política
A reportagem do Vermelho também relembra a proximidade entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em mensagens divulgadas anteriormente, relacionadas às negociações de financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, Flávio se referiu ao empresário como “irmão”.
O senador já reconheceu que procurou Vorcaro para obter patrocínio privado para a produção cinematográfica, mas negou irregularidades ou oferecimento de vantagens em troca dos recursos.
A relação entre os dois ganhou repercussão política diante das investigações envolvendo o Banco Master.
Entretanto, não há nas informações apresentadas evidência de que Flávio Bolsonaro tenha participado da suposta rede de prostituição investigada pela Polícia Federal.
O inquérito relacionado aos eventos privados envolve a atuação de Vorcaro e de intermediários responsáveis pela organização e contratação das mulheres.
Até a publicação das reportagens, os principais envolvidos procurados pelo UOL não haviam apresentado respostas completas às acusações.
O avanço da investigação deverá esclarecer a natureza dos serviços prestados, a origem dos pagamentos e a existência de possíveis crimes relacionados à exploração de mulheres.
🔍 Fontes: Vermelho | UOL – Investigação original



