O governo Lula deve alegar às autoridades dos Estados Unidos o risco de fuga do ex-deputado Alexandre Ramagem como principal argumento para impedir a concessão de asilo político, informa a CNN Brasil. A estratégia busca reforçar que não há perseguição política no caso e que a situação jurídica do ex-chefe da Abin envolve condenações graves, o que pode influenciar a decisão americana sobre o pedido.
A linha adotada pelo governo é destacar elementos concretos da saída de Ramagem do país e sua permanência irregular no exterior.
Ramagem foi preso na última segunda-feira (13) na Flórida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), após ser abordado por uma infração de trânsito. A detenção ocorre em meio ao risco de deportação, já que seu visto estaria vencido desde 7 de março deste ano.
O ex-deputado deixou o Brasil em setembro de 2025, pouco antes do início do julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a Polícia Federal, ele teria saído do país por Roraima, seguido para a Guiana e embarcado de Georgetown rumo a Miami. A PF aponta ainda que a fuga contou com apoio de uma organização criminosa — elemento que deve ser enfatizado pelo governo brasileiro junto às autoridades americanas.
A avaliação de integrantes do governo é que esses fatores podem ser determinantes tanto na análise do pedido de asilo quanto em eventuais decisões sobre liberdade provisória. Ramagem poderá solicitar fiança enquanto aguarda o andamento do processo migratório, mas caberá à Justiça dos Estados Unidos decidir sobre a concessão do benefício.
A prisão tende a acelerar a tramitação do pedido de asilo, que normalmente poderia se estender por anos. Com a detenção, a expectativa é de que o processo seja concluído em até cinco meses. Antes disso, porém, o pedido deve ser analisado pelas autoridades americanas, mesmo diante da possibilidade de deportação.
Desde o final de 2025, o Brasil já havia informado os Estados Unidos sobre o mandado de prisão contra Ramagem. Após sua condenação a 16 anos de prisão, ele teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro e passou a ser considerado foragido pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado de Direito. Também foi solicitado o processo de extradição.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que “a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”. Já aliados de Ramagem contestam essa versão e negam participação das autoridades brasileiras na detenção.
Cinco meses antes de ser preso, o ex-deputado declarou que se sentia seguro em território americano e que tinha “anuência” do governo dos Estados Unidos para permanecer no país.
Com informações do Brasil247
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