Ceilândia – Atividades físicas rápidas e intensas, como correr por alguns minutos ou trocar o elevador pelas escadas, podem produzir benefícios importantes para a saúde e reduzir o risco de mortalidade. Dois estudos publicados nesta semana avaliaram os efeitos de atividades de curta duração e encontraram associações com melhorias cardiovasculares e metabólicas. Os resultados foram publicados nas revistas Cell Reports e American Journal of Cardiovascular Drugs.
Um dos estudos, divulgado na quinta-feira (13/8), mostrou que três minutos de corrida em alta intensidade provocaram alterações fisiológicas mais amplas do que 90 minutos de ciclismo moderado. A outra pesquisa associou o hábito de subir escadas regularmente a uma menor probabilidade de morte por doenças cardiovasculares e por outras causas.
Três minutos de corrida
Pesquisadores compararam diferentes níveis de intensidade de exercício para avaliar as respostas fisiológicas provocadas pelos chamados sprints. O protocolo de maior intensidade consistiu em seis tiros de 30 segundos na esteira, totalizando três minutos de esforço.
Após a atividade, os pesquisadores observaram alterações em quase um quarto das proteínas analisadas. O exercício também provocou mudanças em mais de 200 metabólitos e aumentou imediatamente a presença de proteínas relacionadas ao crescimento dos vasos sanguíneos, à remodelação dos tecidos e à sinalização hormonal.
Segundo Luke Olsen, pós-doutorando na Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, diferentes intensidades de exercício provocam adaptações distintas no organismo. O estudo buscou justamente compreender melhor os mecanismos moleculares relacionados a períodos curtos de atividade vigorosa.
Os pesquisadores também analisaram amostras de sangue coletadas após os exercícios. As células de gordura apresentaram alterações importantes na atividade dos genes, relacionadas ao processamento de energia, à resposta hormonal e à percepção da disponibilidade de nutrientes.
No exercício moderado, as respostas foram mais discretas. Os pesquisadores identificaram alterações mais significativas apenas algumas horas após a atividade.
Posteriormente, os autores compararam as proteínas produzidas em resposta ao exercício com indicadores de saúde de mais de 53 mil pessoas incluídas em um banco de dados do Reino Unido. Muitas das substâncias analisadas estavam associadas a menor risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.
Os pesquisadores destacaram que as chamadas exercinas — proteínas e metabólitos liberados na circulação após a atividade física — parecem responder de maneira sensível à intensidade do exercício e podem participar dos mecanismos responsáveis pelos benefícios à saúde.
Atividade física não precisa ser intensa
Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que os benefícios da atividade física não estão restritos aos exercícios de alta intensidade.
O médico clínico e intensivista William Rutzen, pós-graduado em nutrologia, afirma que os músculos desempenham funções metabólicas importantes e que a melhor atividade física é aquela que a pessoa consegue manter regularmente.
Caminhadas frequentes, por exemplo, também podem contribuir para a redução da inflamação e para a melhora da saúde metabólica.
Subir escadas também traz benefícios
Outro estudo analisou os efeitos de uma atividade cotidiana: subir escadas. Pesquisadores da Universidade de East Anglia e do Hospital Universitário de Norfolk e Norwich, no Reino Unido, identificaram associação entre o hábito e menor risco de mortalidade.
A revisão analisou 1,9 mil estudos com dados de aproximadamente 480 mil pessoas, acompanhadas por uma média de 14 anos. Os participantes tinham entre 35 e 84 anos e incluíam tanto pessoas saudáveis quanto indivíduos com histórico de doenças cardiovasculares.
Após o ajuste de fatores que poderiam interferir nos resultados, os pesquisadores encontraram uma associação entre subir escadas regularmente e menor risco de morte por doenças cardiovasculares e por todas as causas.
A análise também apontou redução no risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto e insuficiência cardíaca.
Para Vassilios Vassiliou, principal autor do estudo, subir escadas é uma alternativa prática para pessoas que têm pouco tempo disponível ou acesso limitado a outras formas de exercício.
O cardiologista Marcelo Bergamo explica que subir escadas exige mais do sistema cardiovascular do que caminhar em uma superfície plana. Com a prática regular, a atividade pode contribuir para melhorar o condicionamento físico e fortalecer a musculatura das pernas.
Seis lances podem ser um começo
Segundo o cardiologista Vanger Vinícius Ferreira, cerca de seis lances de escada por dia, ou aproximadamente 60 degraus, podem representar um bom início para pessoas sedentárias.
Ele ressalta, porém, que essa quantidade não deve ser interpretada como substituta de uma rotina completa de atividade física. A recomendação é começar dentro dos próprios limites e aumentar gradualmente a duração e a intensidade.
Pessoas com hipertensão, doenças cardíacas, sedentarismo acentuado ou sintomas como falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações ou desmaios devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar atividades mais intensas.
Para quem está parado há muito tempo, pequenas mudanças na rotina podem ser o primeiro passo. Caminhar, usar escadas, andar de bicicleta ou realizar outros exercícios regularmente pode contribuir para reduzir o tempo de inatividade e melhorar o condicionamento físico.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



