EUA aceitam fundo de US$ 300 bilhões para o Irã e escancaram derrota no Oriente Médio

O acordo de paz anunciado entre Estados Unidos e Irã revela uma concessão: a criação de um fundo de até US$ 300 bilhões para ajudar na reconstrução iraniana após meses de guerra.

Embora os detalhes ainda estejam sendo negociados e o mecanismo não tenha sido oficialmente confirmado por Washington, a discussão da proposta representa uma reviravolta dramática em relação ao discurso adotado pela Casa Branca durante o conflito.

O pacote bilionário destinado ao Irã contradiz frontalmente as promessas feitas pelo presidente Donald Trump e pelo vice-presidente J.D. Vance, que garantiam que nenhum centavo seria entregue a Teerã.

A agência iraniana Mehr News destacou que Washington e seus parceiros seriam responsáveis pelo financiamento do chamado “fundo de reconstrução”. Desde o início da guerra, o governo iraniano sustentava que os países responsáveis pelos ataques deveriam pagar pelos danos causados ao país.

Os recursos seriam utilizados para reconstruir infraestrutura destruída, recuperar setores industriais e impulsionar a economia iraniana. Ainda não estão claros os mecanismos de financiamento nem a forma de administração dos recursos, mas a proposta já é vista como uma das maiores concessões feitas pelos Estados Unidos em décadas na região.

Além do fundo bilionário, Teerã afirma que o rascunho do acordo prevê a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior. Segundo a proposta, metade desse valor seria disponibilizada antes mesmo do início das negociações formais previstas para os próximos 60 dias.

No domingo, Donald Trump anunciou que o acordo estava concluído e confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. A assinatura oficial está prevista para ocorrer em Genebra, na Suíça.

A guerra, que deveria reafirmar a influência americana no Oriente Médio, produziu o efeito oposto. O Irã preservou sua posição estratégica, manteve capacidade de negociação e agora se vê diante da perspectiva de receber investimentos bilionários para reconstrução. Os Estados Unidos, por sua vez, acabaram priorizando a estabilidade do mercado global de petróleo e a reabertura do Estreito de Ormuz, aceitando termos que dificilmente seriam considerados aceitáveis antes do conflito.

A declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, resume bem o desfecho. Segundo ele, nenhum acordo diplomático produz vencedores absolutos e derrotados absolutos. Na prática, porém, o texto que começa a emergir das negociações sugere que Teerã saiu da mesa com muito mais do que Washington prometia permitir quando a guerra começou.

Se o fundo de US$ 300 bilhões for confirmado, o conflito poderá entrar para a história não apenas como mais um capítulo da disputa entre EUA e Irã, mas como um dos casos mais emblemáticos de fracasso estratégico da política externa americana no Oriente Médio.

Com informações dcm

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