O governo Lula concluiu mais uma rodada de negociações sanitárias e fitossanitárias e garantiu ao agronegócio brasileiro acesso a novos mercados em 13 parceiros comerciais, distribuídos por 17 países. Com os anúncios desta terça-feira (9), o saldo acumulado desde o início de 2023 chega a 639 aberturas de mercado em 97 destinos — resultado da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Uma lista que atravessa continentes
A diversidade de produtos e destinos desta última rodada mostra a dimensão do alcance da diplomacia econômica brasileira. Na América Latina, foram autorizadas exportações de sêmen de pacu-caranha (Piaractus mesopotamicus) para a Argentina; couro bovino salgado para a Bolívia; material genético bovino para El Salvador e Honduras, que também passará a receber mudas de cana-de-açúcar; milho pipoca para o Equador e a República Dominicana; sementes de coco para a Guiana; sementes de pimenta habanero para a Nicarágua; sementes de mamona para o Paraguai; e sementes de maracujá para a Venezuela.
No continente africano, a Etiópia abre fronteiras para farinhas e gorduras de pescado, ruminantes e de outros animais, além de hemoderivados destinados à alimentação animal. Já a Nigéria passa a importar ovos férteis brasileiros.
Novidade nessa rodada é a exportação de castanha de caju para a União Econômica Euroasiática, bloco composto por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Armênia. O conjunto de países já figura entre os compradores relevantes da produção brasileira: no último ano,o grupo importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários do Brasil, com soja, carnes e café entre os itens com maior volume.
Balanço de uma política de Estado
O número acumulado — 639 aberturas em 97 destinos em três anos e meio — reflete uma estratégia de reposicionamento do Brasil no comércio internacional. A negociação de acesso sanitário e fitossanitário é um processo técnico e diplomático de longa duração que envolve protocolos bilaterais, auditorias, troca de documentação e reconhecimento mútuo dos padrões produtivos. Avançar nesse volume de acordos em um período relativamente curto exige tanto estrutura institucional quanto presença ativa nas arenas multilaterais.
Após um período em que o Brasil reduziu sua interlocução com parceiros estratégicos e viu deteriorar-se sua imagem no exterior, a retomada desse processo sinaliza a reativação de canais que haviam sido negligenciados. Os resultados desta semana, que chegam da América Central à Etiópia, do Paraguai à Armênia, indicam que o trabalho de reconstrução dessas pontes segue em curso — e que o setor agropecuário brasileiro é, nesse contexto, um dos principais beneficiários.
*Com informações do Brasil de Fato



