Estados Unidos e Irã chegaram neste domingo (14) a um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. Apesar do anúncio, a retomada da navegação não deve ser imediata. O próprio governo iraniano prevê prazo de até 30 dias para normalizar o tráfego na região.
A assinatura formal do acordo está prevista para sexta-feira (19), na Suíça, segundo o Paquistão, principal mediador das negociações. Até lá, de acordo com informações do g1, Teerã afirma que não iniciará a implementação dos compromissos. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o entendimento na televisão estatal, mas disse que o país só começará a agir após a assinatura.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o acordo nas redes sociais. “Parabéns a todos!”, escreveu. Em seguida, afirmou: “Por meio deste, autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”.
Mesmo com a autorização de Trump, a reabertura não depende dele, mas sim de etapas diplomáticas, militares e operacionais. O bloqueio naval estadunidense precisa ser retirado, o Irã precisa liberar a passagem sem cobrança de taxas e as embarcações precisam retomar rotas com garantias mínimas de segurança. Por isso, a agência iraniana Mehr informou que o tráfego local deve voltar aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias.
Outro fator que impede uma normalização imediata é a falta de detalhes públicos sobre o acordo. Nenhuma das partes divulgou oficialmente o conteúdo integral do memorando.
Segundo a CNN, fontes iranianas afirmam que o texto prevê cessar-fogo de 60 dias em “todas as frentes”, incluindo o Líbano, além da reabertura de Ormuz, retirada do bloqueio naval estadunidense, flexibilização progressiva de sanções e compromisso do Irã de não obter uma arma nuclear.
A Reuters ouviu uma fonte do governo estadunidense que afirmou que o acordo prevê a reabertura do estreito, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a manutenção do bloqueio sobre ativos congelados até que Teerã cumpra sua parte. Já a imprensa estatal iraniana diz que o país não abrirá mão do controle de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio.
Essas diferenças mostram que temas centrais ainda precisarão ser negociados. Autoridades paquistanesas afirmam que discussões sobre pontos pendentes, como o programa nuclear iraniano, continuarão pelos próximos 60 dias. Caso não haja consenso nesse prazo, o cronograma poderá ser estendido.
O mercado reagiu imediatamente ao anúncio. O petróleo Brent, referência global, caiu 4%, para US$ 84 por barril. O WTI, referência dos Estados Unidos, também recuou, para US$ 81 por barril, segundo o New York Times.
O acordo, porém, já enfrenta críticas. Integrantes do governo de Israel e republicanos aliados de Trump afirmam que o texto não representa avanço em relação ao acordo nuclear de 2015, abandonado pelo próprio Trump em seu primeiro mandato e ainda classificado por ele como “ruim”.
No Irã, também há resistência interna. O presidente Masoud Pezeshkian pediu união nacional e chamou de “vergonha” a postura de quem acusa negociadores de traição no Parlamento. A aprovação do novo líder supremo, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi necessária para que Teerã aceitasse o acordo.
Com informações DCM



