Segunda gestante morre em hospital de Samambaia

Uma mulher de 25 anos morreu ao dar à luz no Hospital Regional de Samambaia. Essa é a segunda morte de uma grávida em três dias na unidade de saúde. A família afirma que Maria Aparecida Caldino dos Santos queria passar por uma cesariana, mas teria sido submetida a um parto normal contra a vontade dela, o que, segundo os parentes, teria contribuído para a morte. A bebê sobreviveu e está sob os cuidados de familiares. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) determinou a abertura imediata de uma apuração para esclarecer as circunstâncias da morte.

A avó e mãe de criação da vítima relatou nesta terça (14/7) que acompanhou a filha durante todo o trabalho de parto. Segundo a familiar, Maria Aparecida começou a sentir dores na noite de domingo, após passar o dia fazendo mudança para morar mais perto da mãe de criação. “Ela almoçou e jantou lá em casa. Às seis horas disse: ‘Mãe, estou sentindo umas dorzinhas’. Eu falei que talvez já estivesse perto da hora, porque ela já estava no mês de ganhar”, contou Maria da Conceição, 76.

De acordo com a mãe de criação, a jovem deu entrada no hospital por volta da meia-noite de segunda-feira. O marido permaneceu com ela durante a madrugada e, pela manhã, Maria da Conceição assumiu o acompanhamento. A familiar afirma que a filha estava sem forças durante o parto e que os profissionais insistiam para que ela continuasse fazendo esforço.

O momento mais difícil, segundo a mãe de criação, ocorreu quando a bebê começou a sair. “A menina ficou com a cabeça para fora e o rosto estava roxo. Eu falei: ‘A menina está passando mal. Tira essa criança daí’”, afirmou. Ela diz que a equipe médica demorou a agir.

Por volta das 20h, a idosa percebeu a movimentação. “A médica saiu, pegou na minha mão, me olhou e eu entendi. Falei: ‘Não precisa dizer nada, eu já sei’. Aí entrei em desespero. Perder minha única filha foi perder tudo”, contou. O caso é apurado pela 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul)

O irmão de Maria Aparecida, Luan Gaudino, 22, descreveu a perda como devastadora e lamentou que a recém-nascida crescerá sem conhecer a mãe. “Vamos ter que contar para ela que a mãe morreu no dia em que ela nasceu. É uma história muito triste. O irmão dela, que é autista, também está muito abalado.”

A morte de Maria Aparecida ocorre poucos dias após outro caso semelhante registrado no Distrito Federal. Na última sexta-feira (10/7), a gestante Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o trabalho de parto na mesma unidade. Assim como no caso de Maria Aparecida, a família acusa a unidade de saúde de negligência no atendimento.

Investigação

A SES-DF informou que o caso será investigado com prioridade. Em nota, a secretaria ressaltou que “as ocorrências envolvendo gestantes na unidade exigem uma investigação rigorosa e célere para apurar a existência de eventuais falhas no procedimento de assistência”.

A pasta também destacou que não tolera irregularidades na prestação do atendimento e garantiu que eventuais responsáveis serão punidos, caso sejam identificadas falhas. “A Secretaria não é conivente com quaisquer falhas. Se forem constatadas responsabilidades, todos os envolvidos serão rigorosamente responsabilizados, com a adoção imediata das medidas administrativas, disciplinares e legais cabíveis”, informou.

Por fim, a pasta ressaltou que a investigação ocorre em caráter prioritário e que só irá se pronunciar sobre o atendimento após a conclusão da apuração. “A apuração é conduzida com absoluta prioridade e rigor. A Secretaria somente se manifestará sobre as circunstâncias do atendimento após a conclusão da investigação, em respeito aos fatos e ao devido processo”, conclui a nota. 

*Com informações do Correio Braziliense

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