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“Paulo Henrique não operou sozinho. Ibaneis e Celina devem explicações”, diz Leandro Grass

A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, nesta quinta-feira (16), em nova fase da Operação Compliance Zero

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A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), levou o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, a cobrar explicações de autoridades do Distrito Federal. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o caso ultrapassa a atuação individual do ex-dirigente.

“A PF prendeu o ex-presidente do BRB. Paulo Henrique não operou sozinho. O maior escândalo de corrupção da história brasileira se conecta diretamente ao Palácio do Buriti. Ibaneis e Celina devem muitas explicações sobre isso tudo. Que a verdade apareça e a justiça seja feita”, declarou Grass.

Operação investiga irregularidades no BRB

A Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa durante nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de falhas em práticas de governança e realização de negócios sem lastro com o Banco Master. 

Costa já era alvo da investigação desde novembro de 2025, quando foi afastado do cargo por decisão judicial após pedido do Ministério Público Federal. Na ocasião, a Justiça não autorizou sua prisão, determinando apenas o afastamento por 60 dias. Ele acabou demitido logo depois por decisão do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Auditoria aponta pressão e falhas nas operações

Um relatório de auditoria independente, conduzido pelo escritório Machado Meyer com apoio da consultoria Kroll, reforçou as suspeitas. O documento foi encaminhado à Polícia Federal no início de abril e indica que as compras de carteiras do Banco Master eram tratadas internamente como “negócio do presidente”.

Segundo a auditoria, as operações eram realizadas sob pressão e urgência, com fragmentação das aquisições para evitar análise do Conselho de Administração. Em alguns casos, transações bilionárias teriam sido decididas e aprovadas no mesmo dia, sem a apresentação de relatórios exigidos.

Operações bilionárias sob suspeita

Entre 2024 e 2025, cerca de 83% das operações do BRB envolveram ativos ligados ao Banco Master. No período, o banco público adquiriu aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras dessa instituição.

Desse total, cerca de R$ 13,3 bilhões apresentam indícios de irregularidades, como ausência de lastro, inconsistências estruturais e falhas documentais. A investigação também identificou contratos inadimplentes e registros em nome de pessoas já falecidas.

Suspeita de esquema para sustentar banco

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que as compras de carteiras teriam sido direcionadas para dar suporte financeiro ao Banco Master, que enfrentaria dificuldades para honrar títulos no mercado.

A apuração aponta que ativos da Tirreno Consultoria teriam sido adquiridos sem pagamento e posteriormente repassados ao BRB. Após o Banco Central vetar novas operações e rejeitar a aquisição do Master pelo banco público, parte desses ativos foi substituída, também sob suspeita.

Defesa nega irregularidades

Em depoimento prestado à Polícia Federal em dezembro de 2025, Paulo Henrique Costa afirmou que não havia “evidência concreta” de problemas nas carteiras adquiridas. Ele sustentou que não tomou decisões de forma individual e que os instrumentos utilizados são comuns no mercado.

A defesa também argumenta que a governança do BRB é colegiada, com decisões compartilhadas entre diretoria, conselho de administração e comitês técnicos.

Entrada de investidores também é investigada

Outro ponto sob análise envolve operações societárias que permitiram a entrada de Daniel Vorcaro e associados no capital do BRB. Em 2024, o banco realizou dois aumentos de capital que somaram R$ 1 bilhão.

Segundo a auditoria, houve uma estrutura considerada suspeita que possibilitou a participação indireta de fundos ligados ao Banco Master. Após essas operações, Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur passaram a deter 23,5% do capital da instituição.

O relatório aponta indícios de uma “operação triangulada e com elementos suspeitos de simulação” para viabilizar essas aquisições. A defesa afirma que o BRB comunicou o Banco Central sobre a entrada dos investidores e a identificação dos beneficiários finais dos fundos.

Com informações do Brasil247

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