A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), abre caminho para uma possível delação premiada que pode atingir o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), em meio às investigações sobre irregularidades na gestão do banco e na tentativa de aquisição do banco Master. O avanço das apurações ocorre após a Polícia Federal identificar indícios de falhas de governança, operações sem lastro e possível influência política nas decisões da instituição.
A Polícia Federal investiga não apenas a condução técnica das operações do BRB, mas também a atuação de agentes políticos no processo, incluindo pressões exercidas durante negociações estratégicas envolvendo o banco Master.
Prisão amplia pressão sobre ex-dirigente
Paulo Henrique Costa foi preso em nova fase da operação que apura irregularidades na gestão do BRB. Ele já havia sido afastado do cargo em 2025 e posteriormente demitido por Ibaneis Rocha, após a deflagração inicial das investigações.
A auditoria independente realizada pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll, identificou que operações bilionárias envolvendo o banco Master eram conduzidas sob forte urgência e tratadas internamente como “negócio do presidente”. Segundo o relatório, as transações eram fragmentadas para evitar análise do Conselho de Administração e, em alguns casos, decididas no mesmo dia.
Entre 2024 e 2025, cerca de 83% das operações do BRB envolveram ativos ligados ao banco Master, somando R$ 21,9 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 13,3 bilhões apresentam indícios de irregularidades, como ausência de garantias, inconsistências estruturais e falhas documentais.
Possível delação pode atingir Ibaneis
Com a prisão, investigadores avaliam que Paulo Henrique Costa pode optar por um acordo de colaboração premiada. Nesse cenário, o ex-presidente do BRB poderia detalhar o processo decisório interno e eventuais pressões externas, o que ampliaria o alcance das investigações.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Ibaneis Rocha pressionava a direção do banco por um desfecho na tentativa de aquisição do banco Master. Em uma conversa de junho de 2025, o então governador escreveu: “Não vou suportar esse desgaste”, ao demonstrar insatisfação com o andamento da negociação.
Ibaneis confirmou que cobrava uma solução, mas negou qualquer interferência indevida. Segundo sua defesa, a atuação se limitou a uma preocupação institucional com os impactos do caso para o Distrito Federal.
Negociação com banco Master está no centro do caso
A tentativa de aquisição do banco Master pelo BRB acabou sendo barrada pelo Banco Central após a identificação de inconsistências em carteiras de crédito avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões. A autoridade monetária vetou a operação em setembro de 2025.
As investigações apontam que o BRB teria adquirido ativos sem garantias suficientes e, em alguns casos, sem documentação adequada. Há ainda suspeitas de que as operações teriam servido para dar suporte financeiro ao banco Master, que enfrentava dificuldades para honrar compromissos no mercado.
Além disso, a Polícia Federal apura a entrada de investidores ligados ao banco Master no capital do BRB por meio de estruturas consideradas suspeitas, descritas na auditoria como uma “operação triangulada e com elementos suspeitos de simulação”.
Linha do tempo sob investigação
A Polícia Federal segue cruzando dados de celulares e documentos para reconstruir os bastidores das negociações. Investigadores buscam esclarecer se houve influência política na condução das operações e se decisões estratégicas foram tomadas fora dos padrões de governança.
Paulo Henrique Costa, em depoimentos anteriores, afirmou que não tomou decisões de forma individual e que os instrumentos utilizados são comuns no mercado. A defesa sustenta que a governança do banco é colegiada.
Com a nova fase da operação e a prisão do ex-dirigente, o foco das investigações passa a incluir com mais intensidade a relação entre decisões técnicas e pressões políticas, o que pode redefinir o alcance do caso e suas implicações no cenário político do Distrito Federal.
Com informações do Brasil247
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