Mendonça vai decidir entre manter ex-banqueiro na PF, transferi-lo para presídio federal ou Papudinha após rejeição da delação pela PGR
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve definir nos próximos dias onde Daniel Vorcaro ficará preso, em meio a um impasse que envolve três alternativas: a carceragem da Polícia Federal, o presídio federal de Brasília e o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após a rejeição da proposta de delação premiada do banqueiro pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
As informações são do jornalO Globo. Segundo a reportagem, a Polícia Federal já informou a Mendonça que a permanência de Vorcaro na Superintendência da corporação tem afetado a rotina do local, cuja carceragem é destinada a presos em caráter provisório, antes do encaminhamento a unidades estaduais.
A PF pediu que Vorcaro seja transferido para o presídio federal de Brasília. A alternativa, no entanto, enfrenta resistência interna. A Polícia Penal, responsável pela administração das penitenciárias federais, é contrária à transferência, sob o argumento de que o sistema federal foi concebido para custodiar presos com perfil ligado à liderança de facções criminosas e à necessidade de isolamento rigoroso.
As unidades federais têm regras mais duras. Presos nesse regime não têm direito a visitas íntimas, e conversas com advogados e familiares são gravadas de forma contínua. O modelo foi criado para impedir fugas, rebeliões e a manutenção de influência de lideranças criminosas sobre organizações externas. Por isso, a presença de Vorcaro nesse tipo de unidade é vista por setores envolvidos no caso como uma medida mais severa do que o necessário.
A possibilidade de envio ao presídio federal também foi criticada pelo ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal. Ele avaliou publicamente que a medida seria mais rigorosa do que o quadro exigiria.
Outra opção em análise é a transferência para a Papudinha, como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. A hipótese, porém, é considerada remota. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa já está preso no local, que tem estrutura reduzida. Nos bastidores, a administração da unidade indicou que não poderia assegurar que os dois não teriam contato.
A situação é considerada delicada porque autoridades próximas às investigações avaliam que Vorcaro exige cuidados especiais. Um dos pontos levados em conta é a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que faleceu após supostamente tentar se matar na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele era investigado como um dos operadores de Vorcaro e, segundo a apuração, teria atuado em pagamentos e na vigilância de desafetos do banqueiro.
Com a delação descartada neste momento pela PGR, Mendonça terá de definir qual local é considerado adequado para o cumprimento da prisão. Nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República afirmou que cabe ao Supremo apontar uma unidade compatível com o risco atribuído ao preso, mas não indicou expressamente onde Vorcaro deveria ficar.
A ausência de uma posição direta da PGR sobre o destino do banqueiro foi interpretada como uma sinalização favorável à permanência dele na carceragem da PF, sem que a Procuradoria se indisponha com a corporação. A Polícia Federal, por outro lado, já comunicou ao ministro que não deseja manter Vorcaro em suas dependências.
Atualmente, Vorcaro está em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, a mesma em que ficou o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no caso da trama golpista. A permanência no local foi determinada para facilitar o acesso dos advogados durante as tratativas de colaboração premiada.
Com a rejeição da proposta de delação, existe a possibilidade de que o banqueiro seja encaminhado a uma das celas de passagem da superintendência. Essas celas são descritas como menos espaçosas e mais escuras do que a cela especial onde ele se encontra. A interlocutores, Vorcaro relatou que um de seus principais temores era retornar a esse espaço.
A decisão de André Mendonça será tomada em meio à pressão da Polícia Federal pela transferência, à resistência ao envio para o sistema penitenciário federal e às limitações apontadas na Papudinha. O caso também envolve a necessidade de avaliar o grau de risco atribuído ao preso e as condições de segurança exigidas para sua custódia.
Com informações brasil 247



