Operação investiga infiltração do PCC no transporte de São Paulo e mira ex-presidente da Câmara

Quatro homens conversam e sorriem durante encontro em ambiente interno.
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (direita) ao lado do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas | Crédito: Edson Lopes Jr/Secom/Prefeitura de São Paulo

Polícia Civil e Ministério Público apuram possível controle da facção sobre 12 empresas de ônibus; Milton Leite teve prisão temporária decretada e candidato do PL está entre os presos.

Ceilândia em Alerta – A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo paulista. Entre os principais alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), que teve a prisão temporária decretada.

Os investigadores cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes municípios paulistas. As diligências alcançam São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Milton Leite não foi encontrado em sua residência durante o cumprimento do mandado e chegou a ser considerado foragido pelas autoridades. Em nota, entretanto, o ex-vereador afirmou que está viajando e que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele também negou as acusações e disse que provará sua inocência.

Leite exerceu sete mandatos consecutivos como vereador e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em diferentes períodos. Ele também possui histórico de proximidade política com o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em 2024, quando comandava o diretório municipal do União Brasil, participou da articulação que oficializou o apoio da legenda à candidatura de Nunes à reeleição.

Essa relação política, por si só, não indica participação do prefeito nas irregularidades investigadas. A operação concentra-se nas suspeitas sobre a atuação da organização criminosa no transporte coletivo e nas pessoas apontadas pelos investigadores como integrantes ou intermediários do esquema.

Investigação aponta possível controle de 12 empresas

Segundo a investigação, o PCC teria conseguido exercer influência direta ou indireta sobre 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo da cidade de São Paulo.

A suspeita é de que integrantes ou representantes ligados à facção tenham sido inseridos nas estruturas empresariais e utilizado companhias do setor para movimentar recursos de origem criminosa e influenciar contratos públicos.

De acordo com elementos apresentados no processo, decisões estratégicas envolvendo algumas dessas empresas dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite.

O ex-vereador também é citado em depoimentos prestados por policiais militares ao Tribunal de Justiça Militar. Um dos relatos sustenta que Leite seria o proprietário de fato da Transwolff, empresa anteriormente investigada por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao PCC.

A afirmação faz parte das investigações e é contestada por Milton Leite, que nega ser proprietário da empresa ou ter participado de atividades criminosas.

A Transwolff já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024. A Prefeitura de São Paulo interveio na companhia naquele ano e posteriormente encerrou seu contrato com o município.

A gestão municipal afirma que vem colaborando com o Ministério Público e a Polícia Civil, fornecendo documentos e informações solicitadas durante as investigações.

A Operação Vectura Corrupta também alcançou Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, ele teria realizado encontros periódicos com José Daniel Satilite, apontado como personagem importante do esquema investigado.

As autoridades procuram esclarecer se essas reuniões estavam relacionadas a interesses de empresas supostamente vinculadas à organização criminosa.

Candidato do PL está entre os presos

Outro alvo da operação é Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL e ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.

Segundo a Polícia Civil, foram identificados indícios de proximidade entre Morgado e integrantes do PCC. A investigação também apura a suspeita de que sua campanha eleitoral em Praia Grande tenha recebido recursos provenientes da organização criminosa.

As suspeitas ainda dependem da continuidade das investigações e do eventual processo judicial. A prisão temporária e a condição de investigado não representam condenação ou comprovação definitiva dos crimes atribuídos aos alvos.

A operação desta quinta-feira é resultado de investigações iniciadas em 2024. Segundo os investigadores, as apurações chegaram a uma estrutura financeira supostamente utilizada pelo PCC para lavagem de dinheiro e que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões.

Também são investigados indícios de financiamento de campanhas eleitorais e possível participação de servidores comissionados de administrações municipais.

O Ministério Público e a Polícia Civil procuram determinar até que ponto a organização criminosa conseguiu penetrar nas empresas de transporte e estabelecer relações com agentes públicos, empresários e pessoas ligadas à política.

As responsabilidades individuais ainda serão apuradas. As suspeitas apresentadas na operação deverão ser submetidas ao contraditório e à análise do Poder Judiciário ao longo do processo.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Ministério Público de São Paulo (MPSP); Polícia Civil de São Paulo.

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