As forças israelenses começaram a interceptar nesta segunda-feira (18) embarcações de uma nova flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza, segundo organizadores e o governo de Israel. Imagens de vídeo mostram militares israelenses se aproximando e abordando vários barcos.
Quatro brasileiros estão a bordo: Ariadne Teles, organizadora e coordenadora da Global Sumud Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento Atingidos por Barragens; Thainara Rogério, brasileira com cidadania espanhola; e Cassio, médico pediatra. Organizadores da flotilha afirmam que, entre os cinco detidos nesta segunda, estão dois espanhóis, dois portugueses e um britânico.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceptação da flotilha e parabenizou as forças navais por frustrarem o que chamou de “plano mal-intencionado elaborado para romper o bloqueio que impusemos aos terroristas do Hamas em Gaza”, segundo um comunicado de seu gabinete.
A Flotilha Global Sumud, um movimento internacional que lidera a missão, afirmou que militares israelenses abordaram diversas embarcações em águas internacionais perto de Chipre na segunda-feira, enquanto o comboio tentava navegar até a sitiada Faixa de Gaza.
“Ao interceptar a flotilha hoje, a um perímetro de 250 milhas náuticas e na zona SAR do Chipre, o regime israelense continua a demonstrar um desrespeito sistemático pelo direito marítimo internacional, pela liberdade de navegação em alto-mar e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”, afirmaram os organizadores por meio de nota.
Grande operação
Imagens de vídeo compartilhadas pelos organizadores mostraram ativistas filmando enquanto as forças israelenses se aproximavam e abordavam os barcos. Mais de 50 embarcações partiram da cidade portuária turca de Marmaris na semana passada, no que os organizadores descreveram como a etapa final de uma jornada destinada a desafiar o bloqueio israelense ao enclave palestino.
Correspondentes dizem que a mídia israelense descreve a operação como uma das maiores campanhas de interceptação naval contra uma flotilha rumo a Gaza nos últimos anos. Foram interceptadas cerca de 20 embarcações perto da costa do Chipre, e cerca de 100 ativistas teriam sido detidos.
A mídia israelense noticiou que os ativistas foram transferidos para o que foi descrito como uma “prisão flutuante” antes de serem levados ao porto de Ashdod para interrogatório pelas autoridades de inteligência. Reportagens israelenses ainda afirmam que os militares usaram táticas de interferência eletrônica, incluindo a transmissão de músicas por frequências de rádio, para interromper as comunicações entre as embarcações da flotilha no Mar Mediterrâneo.
As interceptações ocorreram enquanto o braço turco da campanha da flotilha afirmava que uma de suas embarcações, a Munki, havia sido “atacada” e “perseguida de perto” por barcos militares de Israel.
No dia 30 de abril, uma flotilha com destino a Gaza foi interceptada por forças israelenses na costa da Grécia. Embora a maioria dos ativistas tenha sido enviada à Europa, dois tripulantes, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol de origem palestina Saif Abu Keshek, ficaram detidos em Israel por 10 dias antes de serem deportados.
Organizações de direitos humanos acusaram o país de realizar prisões ilegais e de cometer abusos contra os detidos, acusações que as autoridades israelenses negaram.
Fome criada por Israel
As autoridades israelenses rejeitam as acusações de escassez de ajuda e insistem que Gaza está “inundada” de assistência. Mas o enclave palestino enfrenta uma grave e crescente escassez de pão devido às restrições israelenses sobre a importação de farinha e combustível. Com a produção reduzida, a grande maioria da população — que já vive deslocada devido à guerra — é forçada a enfrentar filas imensas sob o sol ou a chuva, muitas vezes retornando para casa de mãos vazias.
Gaza necessita de cerca de 450 toneladas de farinha por dia, mas tem recebido apenas 200 toneladas. O fechamento temporário e a posterior limitação das passagens de fronteira por Israel agravaram a situação. Como Gaza está sem energia elétrica regular, as padarias dependem de geradores.
As restrições inflacionaram drasticamente o preço do óleo lubrificante para esses geradores, custo que acaba sendo repassado ao consumidor. Mais de um terço da população depende do pão subsidiado pelo PAM (vendido a cerca de US$ 1 (cerca de R$ 5) o pacote. No entanto, a organização foi instruída a reduzir o fornecimento de farinha devido aos bloqueios, empurrando as pessoas para o mercado clandestino.
O fornecimento de gás de cozinha, que antes ocorria a cada seis semanas, agora mudou para uma vez a cada três meses. Isso impede que os palestinos assem pão em casa, aumentando ainda mais a dependência das padarias comerciais. Até o preço da lenha disparou.
Idosos, viúvos e famílias com pessoas com deficiência relatam a total impossibilidade de passar horas em pé nas filas para conseguir o alimento básico. Os moradores de Gaza temem o retorno da fome severa que marcou o período anterior ao “cessar-fogo” do ano passado, alertando que a comunidade internacional precisa agir antes que a crise humanitária se descontrole novamente.
*Com informações do Brasil de Fato
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