Lula: ‘Trump sabe que sou contra guerra no Irã, intervenção na Venezuela e genocídio na Palestina’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende manter uma relação pragmática com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências políticas. Em entrevista ao The Washington Post, publicada neste domingo (17), o mandatário brasileiro disse que considera estratégico preservar o diálogo com o republicano e que defenderá a soberania brasileira.

“Trump sabe que eu sou contra a guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, afirmou. E acrescentou: “Minhas discordâncias políticas com Trump não interferem no meu relacionamento com ele como chefe de Estado. O que quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui”.

Lula defendeu uma solução negociada para os conflitos internacionais. Ele disse esperar que Trump se convença de que “os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante fortalecendo a paz, a democracia e o multilateralismo”. “Vai ser difícil? Sim. Mas se eu não acreditasse em persuasão, não estaria na política”, acrescentou.

O brasileiro entregou ao republicano, durante o encontro na Casa Branca, em 7 de maio, uma cópia do acordo nuclear negociado entre Brasil, Turquia e Irã, realizado em 2010 e rejeitado pelos Estados Unidos e pela União Europeia. “Não é verdade que o Irã esteja tentando novamente construir uma bomba atômica”, afirmou ao presidente norte-americano.

Na entrevista ao WP, ele criticou a guerra contra o Irã. Em sua avaliação, o confronto evidenciou os limites da estratégia adotada por Trump. Lula apontou que os efeitos econômicos do conflito já atingem a população norte-americana por meio da alta de preços. “Trump é responsável por isso”, declarou.

Cuba, Venezuela e China

Ao comentar a agressão norte-americana contra a Venezuela, Lula disse ter alertado o presidente venezuelano Nicolás Maduro de que eleições acompanhadas internacionalmente poderiam fortalecer sua legitimidade. “Mas Maduro não fez isso, e em vez disso só aumentou as suspeitas depois. Algumas pessoas sabem que estão erradas e continuam fazendo a coisa errada mesmo assim”, afirmou.

Em relação a Cuba, Lula reiterou que Havana deseja manter canais de diálogo com Washington. Cuba “precisa de uma chance”, disse, ao contar ter pedido diretamente a Trump o fim do bloqueio econômico imposto à ilha. “O que sei é que, se os Estados Unidos abrirem uma mesa de negociações, não baseada em impostos, Cuba vai participar”, afirmou. Ele também destacou que o presidente norte-americano lhe disse que não pretende invadir o país.

Lula também criticou a proposta dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas do México, Colômbia e Venezuela como grupos terroristas estrangeiros. “Os EUA não vão fazer isso com o Brasil”, afirmou, argumentando que apenas pressão militar e policial não resolve a questão do narcotráfico na região.

Sobre a influência da China na região, o mandatário brasileiro disse que o comércio do Brasil com o país é “duas vezes maior” do que as trocas comerciais com Washington. “Essa não é a preferência do Brasil. Se os Estados Unidos quiserem avançar para a frente da fila, ótimo, mas tem que querer”, afirmou.

Defesa da soberania

Lula relatou ter zombado de Trump sobre sua expressão severa nas fotos oficiais. Trump respondeu que os eleitores preferem líderes que pareçam sérios. “Só durante a eleição. Agora que você está governando, pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos”, aconselhou.

Lula afirmou defender uma abordagem estratégica junto ao mandatário norte-americano: “se eu consegui fazer Trump rir, posso conquistar outras coisas também”, e complementou: “você não pode simplesmente desistir”.

O presidente brasileiro reafirmou a defesa da soberania em suas tratativas com Washington, afirmando que seu bom relacionamento com Trump pode atrair investimentos e garantir o respeito pela democracia brasileira. “Aqueles que inclinam a cabeça podem não conseguir levantá-los novamente”, declarou. “O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, acrescentou.

Questionado sobre a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que “nunca pediria para Trump não gostar de Bolsonaro. É problema dele”. E acrescentou: “Não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”

*Com informações do Brasil de Fato

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