A 9ª fase da Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18/6), teve entre os alvos o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18/6), a 9ª etapa da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro brasileiro envolvendo o Banco Master.
Entre os principais alvos estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As suspeitas em torno de Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
Lima já havia sido detido na primeira fase da Operação e ficou preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025. Ele foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
Fraudes em grande escala
A Compliance Zero tem como foco desarticular um esquema de fraudes cambiais e desvios financeiros de grande escala envolvendo o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central.
A investigação aponta para a manipulação de balanços, simulação de operações de crédito e lavagem de dinheiro que permitiram a ocultação de rombos bilionários e a transferência ilegal de recursos para o exterior por meio de empresas de fachada.
Ao longo de suas fases, a operação revelou o envolvimento de executivos, ex-sócios e agentes financeiros que burlavam os mecanismos de controle e conformidade exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional.
Em suas etapas mais recentes, a ofensiva policial passou a mirar também a vertente política do esquema, investigando o suposto pagamento de vantagens indevidas e corrupção para blindar a instituição financeira ou facilitar negócios.
Os investigadores apuram se a transação de ativos públicos — como a privatização de empresas estatais que posteriormente foram integradas ao patrimônio do banco — contou com a participação de agentes públicos e lideranças partidárias em troca de propina, expandindo o escopo do caso de um crime estritamente financeiro para um escândalo de corrupção política.
Relembre as etapas da operação:
1ª fase — Novembro de 2025
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase, que resultou em sete prisões, entre elas a do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do banco; e o tesoureiro Alberto Félix.
Durante os mandados de busca, a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios de alto padrão e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo. Além das prisões, foram bloqueados R$ 12,2 bilhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas associadas ao esquema.
Vorcaro foi liberado mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país, a entrega do passaporte e a impossibilidade de comunicação com outros investigados.
2ª fase — Janeiro de 2026
Deflagrada em 24 de janeiro, a etapa ampliou o alcance da investigação contra Vorcaro e atingiu familiares próximos do empresário. O pai, a irmã, o cunhado e um primo foram alvos de buscas.
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes. O empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras, também foi alvo.
Foram apreendidos carros importados, incluindo modelos da BMW e Land Rover, além de armas de fogo com munições e relógios de alto valor. O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos dos investigados.
3ª fase — 4 de março
Nesta fase, em 4 de março, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em diversos estados incluindo Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. No dia 4 de março, o banqueiro Daniel Vorcaro foi novamente preso após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
A terceira fase teve como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, alavagem da dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Os alvos de prisão foram:
- Daniel Vorcaro, apontado como líder de uma milícia privada, que atuava para intimidar e coagir adversários e agentes públicos;
- Fabiano campos Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de ativdades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado;
- Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante relevante da estrutura de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Daniel Vorcaro.
4ª fase — 16 de abril
Em 16 de abril, a Polícia Federal deflagrou a 4ª fase da Operação Compliance, revelando detalhes sobre supostas irregularidades na relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). As investigações também indentificaram movimentações para venda de ao menos um dos imóveis, localizado em um edifício de alto padrão na reião do Itaim Bibi, em São Paulo.
De acordo com os investigadores, os bens teriam sido utilizados como forma de ocultar a origem do dinheiro, em um modelo considerado sofisticado de lavagem de capitais.
A operação resultou em prisões preventivas e buscas, como:
- Paulo Henrique Costa: ex-presidente do BRB, foi preso pela Polícia Federal. Ele é investigado por suspeita de participação em esquemas que favoreceriam instituições financeiras específicas.
- Daniel Monteiro: advogado que teria representado o Banco Master em negociações estratégicas com o BRB.
Na residência do senador foi apreendido uma motocicleta Honda CB1000, um carro BMW 440i e um malote com evidências recolhidas pela PF.
Além disso, a decisão judicial também determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.
6ª fase — 14 de maio
A sexta fase, investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Entre os alvos, destaca-se Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Henrique, que foi preso em Belo Horizonte, é um empresário mineiro do setor de infraestrutura e construção pesada em Minas Gerais. Ele é o fundador e líder do Grupo Multipar, um conglomerado que atua em diversos segmentos, incluindo engenharia, energia, agronegócio e o setor imobiliário.
7ª fase — 19 de maio
A sétima fase, atendeu a um pedido formulado pela Polícia Federal, que identificou vazamento de informações sigilosas dentro da própria corporação. O perito João Cláudio Nabas, suspeito de vazar informações para a imprensa, foi afastado de suas funções.
Além das buscas, o ministro André Mendonça determinou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão contra o policial federal supostamente envolvido no crime. As suspeitas foram referentes a vazamentos do início da operação, nos meses de dezembro e janeiro.
8ª fase — 26 de maio
Seis pessoas foram alvo da Polícia Federal durante a oitava fase da Operação, entre elas o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e ex-dirigentes do Rioprevidência.
- Cláudio Bomfim de Castro e Silva — Ex-governador do Rio de Janeiro
- Ricardo Siqueira Rodrigues — Lobista e empresário
- Deivis Marcon Antunes — Ex-presidente do Rioprevidência
- Eucherio Lerner Rodrigues — Ex-diretor do Rioprevidência
- Pedro Pinheiro Guerra Leal — Ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência
- Fernanda Pereira da Silva Machado — Ex-gerente de controle interno e auditoria do RioPrevidência
Na etapa, foi apurado um investimento suspeito feito pelo Rioprevidência em ações ligadas à instituição financeira na ordem R$ 3 bilhões.
Com informações Metrópoles



