O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinculou sua investida pela Groenlândia ao ressentimento por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, em uma troca de mensagens com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre. A revelação foi publicada pelo Financial Times, com base em reportagem inicial da PBS News.
Segundo o texto, Trump respondeu a Støre afirmando que, “considerando que seu país decidiu não me dar o Prêmio Nobel da Paz… não sinto mais obrigação de pensar puramente em Paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América”.
Na mesma mensagem, Trump elevou o tom ao relacionar o tema à segurança internacional: “O mundo não está seguro a menos que tenhamos controle completo e total da Groenlândia”.
Støre confirmou na manhã de segunda-feira que recebeu a mensagem. Ele explicou que o contato ocorreu após ter enviado um texto ao presidente norte-americano para protestar contra a tentativa de impor tarifas à Noruega e a outros países europeus, além do envio de tropas para a Groenlândia.
O premiê norueguês também disse que sua mensagem — redigida “em nome” dele próprio e do presidente da Finlândia, Alexander Stubb — apontou a necessidade de “desescalar a troca de palavras” e solicitou uma ligação telefônica entre os três “durante o dia”.
Nobel, pressão política e constrangimento diplomático
A reportagem relata que o Nobel da Paz de 2025 foi concedido a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana. De acordo com o texto, ela levou a medalha a Trump na Casa Branca na semana passada, em “reconhecimento por seu compromisso único” com a liberdade do país.
O Financial Times afirma que Trump vinha fazendo campanha pelo prêmio, sustentando que teria encerrado “oito guerras” desde que retornou à Casa Branca “há um ano”. Ainda assim, autoridades norueguesas repetiram a Trump que o Nobel não é decidido pelo governo, e sim por um comitê independente cujos integrantes são escolhidos pelo parlamento do país.
Um diplomata norueguês, citado na reportagem, traçou um paralelo com o caso de 2010, quando a premiação ao dissidente chinês Liu Xiaobo gerou retaliações econômicas de Pequim. “Tivemos uma dura luta para convencer a China”, disse ele, acrescentando: “Agora temos a mesma dura luta com Trump”.
Ataque à soberania dinamarquesa e discurso expansionista
No mesmo conjunto de mensagens, Trump voltou a questionar a legitimidade do controle da Dinamarca sobre a Groenlândia, apesar de reconhecer que os Estados Unidos já aceitaram formalmente essa condição em tratados, inclusive na convenção de 1916-17 relacionada à venda das Índias Ocidentais Dinamarquesas.
Em nova passagem, Trump escreveu: “A Dinamarca não pode proteger aquela terra da Rússia ou da China, e por que eles têm um ‘direito de propriedade’, afinal? Não há documentos escritos, é só que um barco pousou lá centenas de anos atrás, mas nós tivemos barcos pousando lá também”.
O presidente norte-americano ainda tentou enquadrar o tema dentro de sua retórica sobre a Otan: “Eu fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação, e agora a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos”.
Mensagem circulou entre embaixadas europeias
Segundo a PBS, o texto de Trump teria sido encaminhado a “múltiplas” embaixadas europeias em Washington, o que ajudou a espalhar o conteúdo e ampliou a dimensão diplomática do episódio.
Ao colocar o Nobel como argumento para “não pensar puramente em paz” e, ao mesmo tempo, exigir “controle completo e total” sobre a Groenlândia, Trump reforça um discurso de coerção que pressiona aliados europeus, normaliza ameaças e reabre, sob uma lógica de força, o debate sobre soberania territorial no Atlântico Norte.
Originalmente publicado em Brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Quem faltou no primeiro turno pode votar no segundo; veja as regras

Eleitor poderá votar no segundo turno normalmente mesmo que tenha faltado em 4 de outubro, mas precisa justificar a ausência no primeiro turno até 3 de dezembro. Ceilândia em Alerta – Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4). Apesar da ausência,…
-
Emplacamentos de veículos superam 509 mil e batem recorde em setembro

Emplacamentos de veículos cresceram 8,32% em relação a setembro de 2025; resultado inclui automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões, motocicletas e implementos rodoviários. Ceilândia em Alerta – O mercado automotivo brasileiro registrou 509.686 unidades emplacadas em setembro, o maior resultado já alcançado para o mês. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave),…
-
Xi Jinping apresenta prioridades do Plano Quinquenal da China até 2030

Plano Quinquenal da China para o período de 2026 a 2030 concentra esforços em desenvolvimento econômico, inovação tecnológica, pesquisa e modernização do país. Ceilândia em Alerta – O presidente chinês Xi Jinping apresentou as prioridades que deverão orientar o desenvolvimento econômico e tecnológico do país até 2030. As diretrizes fazem parte do Plano Quinquenal da…






