Congresso Nacional já teme possível delação de Vorcaro, do Master

As expectativas sobre uma eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ganharam força no Congresso Nacional após movimentos recentes que indicam mudança de estratégia jurídica. Entre os fatores que impulsionaram esse cenário estão a troca na equipe de defesa e reuniões do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e com a Polícia Federal. As conversas incluíram a possibilidade de um acordo de colaboração, segundo o Metrópoles.

A hipótese de delação surge em meio ao avanço das investigações que atingem o empresário, que já é alvo de inquéritos na Polícia Federal, além de apurações conduzidas pela CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado. Parlamentares que acompanham os trabalhos afirmam que o material obtido por meio de quebras de sigilo aponta para uma suposta “infiltração” do banqueiro em diferentes esferas do poder.

De acordo com relatos de integrantes da CPMI, uma nova leva de dados armazenada em uma sala-cofre revelou registros considerados sensíveis, incluindo documentos e decisões judiciais de interesse do Banco Master que, segundo um parlamentar, teriam caráter sigiloso. Outros congressistas afirmam que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com autoridades, incluindo ministros do STF, além de registros fotográficos em eventos sociais com figuras públicas.

O acesso ao material, que soma mais de 400 GB de dados obtidos junto à Apple, foi liberado inicialmente para parlamentares e assessores. No entanto, após suspeitas de vazamentos, o ministro André Mendonça determinou a retirada dos dados da sala-cofre. A Polícia Federal realizou a coleta do material, embora posteriormente tenha informado que parte das informações foi reinserida no sistema do Senado.

O ambiente no Congresso é de apreensão diante do alcance que uma eventual delação pode ter. Parlamentares de diferentes correntes políticas buscam se distanciar de qualquer associação com os fatos investigados. Um líder da Câmara, sob reserva, defendeu o acordo como forma de esclarecer as suspeitas. “Ele tem mais é que delatar mesmo. Os líderes estão evitando tocar nesse assunto, mas acho que é bom porque o CPF tem que pagar; não dá para continuar com essa coisa de responsabilizar o CNPJ, no caso o Congresso”, afirmou.

Por outro lado, há receio de que a colaboração possa gerar instabilidade institucional. Um parlamentar do centrão avaliou que o cenário pode sair do controle. “É complicado, porque ele fala, mas há toda a questão das provas. Ele delata, começam os vazamentos, os dedos são apontados para os citados. E depois? Se isso acontecer, pode virar um furacão. A gente já viu isso em outros escândalos”, disse.

As tratativas para uma possível delação já foram levadas tanto ao STF quanto à Polícia Federal. Ao ministro André Mendonça, o advogado José Luís Oliveira Lima apresentou o acordo como alternativa em análise. Já à PF, indicou a intenção de formalizar uma colaboração que descreveu como “séria e completa”, com disposição do cliente de fornecer todas as informações disponíveis.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal em Brasília, sob suspeita de envolvimento em fraudes financeiras. Ao determinar a prisão, o ministro André Mendonça apontou risco de interferência nas investigações, decisão posteriormente confirmada pela Segunda Turma do STF.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master — liquidado pelo Banco Central — pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão irregular de certificados de depósito bancário (CDBs). O Banco Central informou que a instituição descumpriu normas que regem o funcionamento das entidades do Sistema Financeiro Nacional, ampliando a gravidade do caso que agora mobiliza o Congresso Nacional.

Com informações do Brasil247

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