DISPUTA AGORA É ENTRE “VOTO ÚTIL” E “VOTO INÚTIL” PARA NÃO ACABAR NO 1º TURNO

Com Bolsonaro e Haddad disparando nas pesquisas, e a possibilidade de tudo ser resolvido por um dos dois no primeiro turno, a turma do “voto útil” voltou com tudo.

Mas “voto útil” em quem?, se os demais candidatos estão caindo ou estagnados?

O argumento dos colunistas do establishment midiático-financeiro é que “precisamos evitar a vitória dos extremos”, mas falta um nome para encarnar a terceira via.

No embate direto entre PT (Haddad) e anti-PT (Bolsonaro), não sobrou espaço para os outros, que se tornaram depositários do “voto inútil”, ou seja, de quem não tem mais chances de ir para o segundo turno.

Diante deste cenário, bateu o desespero nos demais candidatos que eram competitivos até outro dia.

Com a barulhenta entrada em cena de Fernando Haddad como candidato de Lula, mudou tudo.

Quem mais perdeu foram Ciro e Marina, que disputavam a herança dos votos lulistas e agora não podem mais dar uma guinada à direita, já ocupada por Bolsonaro.

De outro lado, a constante subida do capitão reformado nas pesquisas, mesmo fora de combate num leito de hospital, deixou Alckmin pendurado na brocha, assistindo à debandada dos aliados de ocasião, que já estão se dividindo entre Haddad e Bolsonaro, de olho no segundo turno.

Essa gente das bancadas do boi, da bíblia e da bala, incluindo, é claro o MDB, só querem manter o poder, não importa quem seja o vencedor.

Pode ser tarde demais para o candidato tucano promover a pajelança programada para esta terça-feira, em São Paulo, na tentativa de não ver sua campanha desmilinguir de vez, a 19 dias da eleição.

Abandonado pelos seus aliados históricos na mídia e no mercado, Alckmin ainda precisa correr atrás das denúncias contra ele que continuam pipocando a toda hora, jogando-o na defensiva, sem mostrar sinais de reação.

Ciro já perdeu a cabeça de novo, partindo para cima de um pseudo jornalista em Roraima, que foi provocá-lo num comício, mas ainda conta com seu projeto de limpar o nome dos inadimplentes no SPC, a única proposta concreta e viável que apareceu na campanha até agora. Pelo menos tem uma bandeira.

E Marina Silva continua apenas cumprindo tabela em sua terceira campanha presidencial, agora com cara de brava, defendendo a “energia limpa” como salvação da lavoura e atacando o PT, ao mesmo tempo em que prega a pacificação nacional. Virou uma caricatura de fadinha da floresta desgovernada sem seu labirinto.

Aos demais, só resta fazer figuração, disputando o “voto inútil”.

Será muito difícil, porém, tanto Haddad como Bolsonaro conseguirem mais de 50% dos votos válidos para liquidarem a fatura já no primeiro turno.

Por isso, ambos começaram a fazer movimentos com vistas ao embate decisivo no dia 28 de outubro, com Jair Bolsonaro tentando diminuir sua rejeição e Fernando Haddad correndo atrás do relógio para se tornar mais conhecido como candidato de Lula.

Para quem acompanha esta maluca corrida eleitoral desde o início, porém, não há nenhuma surpresa nas últimas pesquisas.

Desde a primeira, afinal, ainda no ano passado, Lula vinha liderando todos os levantamentos, seguido de longe por Bolsonaro.

Haddad agora apenas vem ocupando o espaço deixado por Lula, o que já era  esperado por 10 entre 10 “analistas de mercado”.

Em suas primeiras entrevistas e sabatinas no rádio e na televisão, Haddad tem surpreendido muita gente, inclusive do PT, saindo-se melhor do que a encomenda, ao assumir posições firmes e claras, a ponto de confrontar a Globo dentro da própria Globo. Nada que lembre um “poste”.

Sem poder participar da campanha, Bolsonaro fica restrito aos seus vídeos na internet e ainda tem que carregar nas costas o vice, general Mourão, cada vez mais destrambelhado e assustador nas suas aparições em lugar do candidato.

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