O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (19) que a vaga de vice em sua eventual chapa à reeleição segue aberta para Geraldo Alckmin (PSB), mas indicou que o aliado pode ser mais útil ao projeto político disputando uma vaga no Senado por São Paulo. As declarações foram feitas durante o lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista.
Segundo informações do jornal Estado de S. Paulo, Lula destacou que Alckmin continua sendo um nome de confiança, mas ponderou que sua presença na disputa ao Senado poderia fortalecer a chapa encabeçada por Haddad contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
— “Eu ficarei imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez. É um companheiro que eu aprendi a gostar, de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário, ele só me ajuda. Mas você tem que conversar com o Haddad para saber onde colheremos mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado, sabe, ajuda mais” — afirmou o presidente.
Lula reforçou que a decisão final dependerá de uma avaliação estratégica dentro do grupo político, considerando as necessidades da disputa em São Paulo.
— “Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. Eles não têm senador para disputar conosco, vão inventar nomes. Já tivemos dois senadores em São Paulo e podemos voltar a ter. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele” — completou.
Estratégia eleitoral em São Paulo
O posicionamento de Lula ocorre no momento em que o PT oficializou a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo. O partido aposta na repetição da estratégia de 2022, quando Haddad chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Tarcísio.
Durante o evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Lula destacou a importância de montar uma chapa competitiva no estado e afirmou ter incentivado Haddad a disputar novamente o cargo.
— “A situação política do Brasil e do mundo é tão grave que, se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem em cada estado e fazer a luta pela democracia, corremos o risco de entregar mais uma vez a democracia na mão dos fascistas que fizeram um estrago tão grande” — declarou.
Haddad, por sua vez, afirmou que entra na disputa com o objetivo claro de vencer.
— “Não disputo eleição para barganhar qualquer coisa que seja, eu disputo eleição para ganhar. A vitória política é sempre possível, basta você se apresentar de cara limpa, com um bom projeto, que vai angariar apoio, crescer e despertar as pessoas” — disse.
Críticas ao cenário político
No mesmo discurso, Lula fez duras críticas ao atual ambiente político brasileiro, classificando-o como deteriorado e marcado por práticas inadequadas.
— “Eu acho que a política apodreceu. Há uma promiscuidade generalizada, em todos os partidos, e precisamos voltar a fazer a política valer a pena. E isso se faz com exemplo” — afirmou.
O presidente também reiterou que pretende disputar a reeleição em 2026 e enquadrou o pleito como um confronto entre democracia e forças autoritárias.
— “Eu vou ser candidato, sim, porque enquanto esse jovem com 80 primaveras, mas com energia de 30, estiver vivo, a extrema direita não volta a governar esse país” — disse.
Disputa nacional e embates recentes
Lula também abordou temas que vêm pressionando o governo, como as investigações sobre fraudes no INSS, e criticou a condução política em torno da CPI do caso.
— “Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, a CGU e a PF. Eles abriram a CPI e, em vez de a gente ir para cima deles, eles estão indo para cima de nós. Na política, quando a gente vacila, pagamos um preço muito alto” — declarou.
Além disso, atribuiu responsabilidades pelo escândalo envolvendo o Banco Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
— “Esse Banco Master é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Campos Neto. E não deixaremos pedra sobre pedra. Se a gente não tiver cuidado, vão tentar dizer que fomos nós” — afirmou.
Palanque simbólico e mobilização
O lançamento da pré-candidatura de Haddad ocorreu em um local simbólico para a trajetória política de Lula, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde o presidente iniciou sua atuação como líder sindical. O evento reuniu ministros, parlamentares e aliados, reforçando a mobilização do campo progressista em São Paulo.
Com a sinalização de Lula sobre o papel de Alckmin, o cenário eleitoral começa a se redesenhar, indicando que a estratégia do governo para 2026 passa por fortalecer palanques regionais considerados decisivos, especialmente no maior colégio eleitoral do país.
Com informações do Brasil247
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