Interesse de empresas do Brasil pela Venezuela cresce após Maduro cair

Queda de sanções impostas por Washington à Venezuela passaram a atrair empresas do mundo inteiro e do Brasil

O Brasil registrou aumento de empresas que querem expandir operação ou atuar na Venezuela. De acordo com fontes diplomáticas consultadas pelo Metrópoles, o movimento é observado desde a ação militar dos Estados Unidos que capturou o então presidente do país, Nicolás Maduro.

Desde então, algumas empresas buscaram o Ministério das Relações Exteriores, bem como a embaixada da Venezuela em Brasília, e a representação brasileira em Caracas, para mais informações sobre a possibilidade de passarem a atuar ou, em alguns casos, retomar as atividades no país caribenho.

O interesse partiu, principalmente, de empresas do ramo de óleo e gásagriculturaconstrução civil e do de sistema financeiro. Entre as companhias que buscaram conversas sobre essa possibilidade, a reportagem apurou que a J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, a Maha Energy e a Alvorada Petróleo, são algumas delas.

O interesse, avaliam diplomatas, seria motivado pelas mudanças implementadas pelos Estados Unidos no país. Com a captura de Maduro, uma nova liderança foi anunciada para o governo da Venezuela e as sanções impostas por Washington ao país começaram a ser revertidas.

Dessa forma, o mercado venezuelano passa a ser visto como uma opção para empresas brasileiras.

O movimento é visto com bons olhos pelo Itamaraty. Para fontes diplomáticas consultadas pela reportagem, é benéfico que a Venezuela volte a atrair mercados e retome sua atividade econômica, pois contribui para a estabilidade na região.

Por outro lado, há o receio sob as condições em que esses negócios são feitos, já que ainda é incerto como tem sido a atuação americana na economia venezuelana.


Retomada econômica na Venezuela

  • A situação econômica na Venezuela tem sinais de retomada desde que os Estados Unidos passou a tirar sanções do país.
  • O movimento acontece após os Estados Unidos realizar uma operação que capturou Nicolás Maduro, que ficou mais de 13 anos no poder, da presidência do país. No lugar, assumiu Delcy Rodrigues, que estabeleceu uma relação direta do país com os Estados Unidos, o que havia sido cortado durante o regime de Maduro.
  • A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo e, com o fim das sanções, aumenta o interesse de empresas de diversos lugares do mundo em atuar no país. Com companhias brasileiras não é diferente.
  • Ao Metrópoles, fontes diplomáticas do Brasil e na Venezuela relataram o aumento do interesse de diversas empresas brasileiras em expandir operações ou, em alguns casos, retomar operações no país caribenho. A percepção dessas companhias é que há uma janela de oportunidade no país.

Novos mercados para o Brasil

Embora o comércio bilateral entre Brasil e Venezuela tenha apresentado queda em meio à instabilidade política e econômica que o país enfrentou nos últimos anos, os ares mostram aparente mudança com a saída de Nicolás Maduro e a retomada da estabilidade política, econômica e jurídica em Caracas.

Em entrevista ao Metrópoles, embaixador Laudemar Aguiar, secretário de promoção comercial do ministério das Relações Exteriores do Brasil, aposta ainda em novos mercados no país caribenho.

“Há uma gama de negócios a serem explorados. Além disso, não dá para ignorar o fato de a Venezuela é um país com quem dividimos fronteira, é um vizinho muito próximo, o que permite a redução de custos com transporte, por exemplo”, defende Laudemar.

Interesse de empresas do Brasil pela Venezuela cresce após Maduro cair - destaque galeria

Além das reservas de petróleo, que atrai empresas do ramo em todo o mundo, inclusive as brasileiras, um desses novos mercados citados pelo embaixador trata da importação de ureia — fertilizante nitrogenado utilizado na agricultura.

O fornecimento da ureia passou por incertezas nos últimos meses com o fechamento do Estreito de Ormuz, já que é o Irã um dos maiores fornecedores do fertilizante ao Brasil. Com o aumento das hostilidades no Oriente Médio, aumentou-se a incerteza sobre o fornecimento do produto, além da variação do preço, o que impacta no valor de toda a cadeia agrícola do país.

Neste sentido, a Venezuela se tornou uma opção brasileira para o produto. Dados do Comércio Exterior disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) analisados pelo Metrópoles, por exemplo, já mostram um aumento na importação da ureia venezuelana pelo Brasil.

Entre janeiro e abril deste ano, a ureia foi a produto venezuelano mais importado pelo Brasil, com mais de 137 mil toneladas importadas, seguido pelo metanol com 24,2 mil toneladas e o alumínio com mais 13,9 mil toneladas. No acumulado de 2025, por exemplo, o produto também liderou a importação brasileira com quase 400 mil toneladas importadas.

Aumento do comércio com a Venezuela

Para além do interesse observado por diplomatas brasileiros e venezuelanos, o fluxo comercial entre os dois países já indica mudanças. Dados do Comércio Exterior disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mostram que houve um aumento nas exportações e importações brasileiras com a Venezuela neste ano.

Entre janeiro em abril de 2026, o Brasil exportou mais de 427 mil toneladas em produtos para a Venezuela. No mesmo período, no ano anterior, registradas pouco mais de 93,6 mil toneladas em produtos brasileiros enviados para território venezuelano.

Em valores, foram pouco mais de R$ 200,6 milhões em exportações para a Venezuela nos quatro primeiros meses de 2025. Neste ano, o valor em exportações para o país caribenho já são quase R$ 300 milhões entre janeiro e abril.

No acumulado de 2025, a balança comercial entre Brasil e Venezuela superou a marca de R$ 1,87 bilhões, sendo R$ 837,8 milhões em exportações e R$ 349 milhões em importações. Entre janeiro e abril deste ano, período em que os dados já estão consolidados, a balança comercial entre os dois países registra R$ 421 milhões, sendo mais de R$122 milhões apenas em importações para a Venezuela.

Com informações do Metrópoles

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário