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Trump: “não haverá volta” na Groenlândia

Presidente dos Estados Unidos endurece discurso sobre a ilha ártica, amplia tensões na OTAN e no comércio internacional

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende recuar de seu objetivo de assumir o controle da Groenlândia, recusando-se a descartar a possibilidade de tomar a ilha ártica pela força e atacando os aliados da OTAN enquanto os líderes europeus se esforçavam para responder. Ao declarar que “não há volta atrás”, o chefe da Casa Branca voltou a gerar apreensão entre aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a provocar reações duras de líderes europeus, que veem na postura norte-americana uma ameaça à estabilidade política e econômica do bloco.

A escalada retórica de Trump foi destacada em reportagem da Reuters. Segundo a agência, a insistência do presidente dos Estados Unidos em relação à Groenlândia reacendeu temores sobre a unidade da OTAN e sobre a possibilidade de um novo ciclo de tensões comerciais entre Washington e a União Europeia.

Em uma publicação na rede Truth Social, após conversar com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Trump escreveu: “A Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — nisso, todos concordam!”. Para reforçar a mensagem, ele divulgou imagens geradas por inteligência artificial nas quais aparece na Groenlândia segurando uma bandeira dos Estados Unidos e discursando diante de um mapa que inclui o Canadá e a ilha como parte do território norte-americano.

Questionado posteriormente por jornalistas na Casa Branca sobre até onde estaria disposto a ir para alcançar esse objetivo, Trump respondeu de forma lacônica: “Vocês vão descobrir”. Apesar do tom duro, o presidente dos Estados Unidos sinalizou, mais tarde, a possibilidade de um entendimento diplomático. “Vamos encontrar uma solução em que a OTAN fique muito satisfeita e nós também”, afirmou, acrescentando que teria diversas reuniões sobre o tema durante sua participação em Davos.

As declarações provocaram reações imediatas na Europa. O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou o que classificou como a imposição da “lei do mais forte” e defendeu uma postura baseada no respeito entre aliados. 

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, adotou um tom ainda mais firme ao rejeitar qualquer concessão sobre a Groenlândia. “O presidente americano infelizmente não descartou o uso da força militar. E, portanto, o restante de nós também não pode descartá-lo”, declarou a jornalistas, ao deixar claro que seu governo não pretende ceder às pressões de Washington.

Outros líderes europeus buscaram caminhos para reduzir a tensão. O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, afirmou que um acordo para o compartilhamento de responsabilidades na segurança do Ártico e do Atlântico Norte poderia representar uma saída para o impasse. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu o momento como uma “mudança sísmica” e defendeu a construção de uma “nova forma de independência europeia” em relação aos Estados Unidos no campo da segurança.

A crise diplomática também trouxe de volta o risco de um confronto comercial. A União Europeia avalia medidas de retaliação caso os Estados Unidos avancem com tarifas ligadas à questão da Groenlândia. Entre as opções está um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros em importações norte-americanas, que poderia entrar em vigor após o fim de uma suspensão de seis meses. Outra alternativa é o Instrumento Anticoerção, conhecido como a “bazuca comercial” da UE, que permitiria restrições severas, inclusive contra serviços digitais de grandes empresas dos Estados Unidos.

O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, tentou reduzir a tensão ao afirmar, em Davos, que o debate em torno da Groenlândia estaria sendo marcado por “histeria” e que uma solução seria encontrada para garantir a segurança nacional tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. Ainda assim, Trump manteve o discurso agressivo e afirmou que buscaria “outras alternativas” caso a Suprema Corte dos Estados Unidos considere ilegais as tarifas ameaçadas contra aliados europeus. “Bem, vou ter de usar outra coisa… temos outras alternativas, mas o que estamos fazendo agora é o melhor, o mais forte, o mais rápido, o mais fácil, o menos complicado”, disse.

A Rússia também comentou o tema. O chanceler Sergei Lavrov afirmou que “a Groenlândia não é uma parte natural da Dinamarca”, ao mesmo tempo em que negou qualquer interesse russo na ilha, declaração feita em meio ao aprofundamento das divergências entre Washington e seus parceiros europeus.

O impacto das falas do presidente dos Estados Unidos foi imediato nos mercados financeiros. As principais bolsas de Wall Street fecharam em forte queda, acompanhando um movimento global de venda de ativos, enquanto o ouro atingiu um novo recorde histórico, superando a marca de US$ 4.700 a onça, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas e pela busca por ativos considerados mais seguros.

Originalmente publicado em Brasil247

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