Presidente criticou Donald Trump, defendeu soberania brasileira e afirmou que EUA deveriam colaborar com investigações da Polícia Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso realizado em Aracruz, no Espírito Santo, em evento de anúncio de ações para a cultura no estado. Ao comentar segurança nacional, combate ao crime organizado e soberania brasileira, Lula afirmou que o Brasil não deve aceitar pressões externas e cobrou cooperação dos Estados Unidos em investigações envolvendo brasileiros que vivem no exterior.
Lula citou o empresário Ricardo Magro, ligado ao setor de combustíveis, e afirmou ter enviado informações sobre ele às autoridades norte-americanas.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue logo esse aí. Porque a nossa Polícia Federal está preparada”, relatou o presidente sobre a conversa com Trump. Na semana passada, Magro foi alvo de operação da PF e incluído na lista de foragidos da Interpol. Magro e a Refit são investigados pela Polícia Federal por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, crimes contra a ordem econômica, falsidade ideológica e organização criminosa.
Na sequência, Lula mencionou diretamente Donald Trump e criticou a postura do presidente norte-americano em relação à política internacional. Segundo o chefe do Executivo brasileiro, Trump tenta impor sua influência global por meio de declarações públicas e redes sociais.
“O presidente Trump acha que pode governar o mundo por Twitter”, afirmou.
Lula também ironizou falas recorrentes do presidente dos Estados Unidos sobre o poder militar e econômico norte-americano.
“Ele fala: ‘eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior avião do mundo, eu tenho o melhor exército do mundo’. Eu falei: não adianta você falar pra mim. Eu não quero guerra com você”, disse.
O presidente brasileiro afirmou que pretende enfrentar Trump no campo político e discursivo, defendendo a imagem e os interesses do Brasil no cenário internacional.
“O que eu quero fazer a guerra com você é de narrativa. Eu quero provar que você está errado e que o Brasil está certo”, declarou.
Durante o pronunciamento, Lula também demonstrou preocupação com ameaças externas sobre riquezas estratégicas do Brasil, especialmente a Amazônia. Ao citar falas recentes de Trump sobre outros territórios internacionais, o presidente alertou para a necessidade de proteger a soberania nacional.
“Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, depois que ele disse que o Canadá é dele, depois que ele disse que o Canal do Panamá é dele, quem é que não vai dizer que a Amazônia é dele?”, questionou.
Lula afirmou que o Brasil precisa fortalecer sua estrutura de defesa, segurança e proteção das fronteiras terrestres e marítimas. Segundo ele, o país não pode permanecer vulnerável diante de interesses estrangeiros sobre seus recursos naturais.
“Nós vamos ter que assumir a responsabilidade de cuidar desse país, porque se a gente não cuidar, daqui a pouco vem um maluco e quer tomar esse país”, disse.
Ao comentar o combate ao crime organizado, Lula afirmou que a Polícia Federal brasileira atua fortemente contra o tráfico de armas e relacionou parte desse armamento aos Estados Unidos.
“A Polícia Federal brasileira já prende muitas armas. Sabe de onde vêm? Dos Estados Unidos”, declarou.
O presidente também rebateu críticas feitas por Trump sobre a relação comercial entre os dois países. Lula afirmou que os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil há mais de uma década.
“Quando ele disse que era deficitário com o Brasil, eu fui provar que nos últimos 15 anos eles tiveram superávit conosco de 415 bilhões de dólares. Nós é que deveríamos estar nervosos, não ele”, afirmou.
Apesar do foco nas críticas ao presidente norte-americano, Lula também aproveitou o evento para defender investimentos em educação e desenvolvimento nacional. Segundo ele, o Brasil precisa enfrentar problemas históricos e assumir protagonismo internacional.
“Esse país depende unicamente, exclusivamente, do que nós quisermos fazer”, declarou o presidente.
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