O cancelamento da visita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), faria a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, nesta quinta-feira (22), escancarou o mal-estar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e provocou irritação entre aliados do ex-presidente que trabalhavam para viabilizar o encontro. Com informações da Folha.
Embora Tarcísio tenha alegado publicamente que o cancelamento ocorreu por conflito de agenda, aliados relatam que a decisão foi tomada após o governador entender que estava sendo pressionado por Flávio.
O filho “01” do ex-presidente chegou a afirmar que a visita serviria para que Tarcísio ouvisse de Bolsonaro que sua candidatura presidencial estava “descartada”, avaliação que gerou forte incômodo no entorno do governador.
Convite partiu de Bolsonaro
A autorização para a visita foi solicitada pela defesa de Bolsonaro na segunda-feira (19) e incluía, além de Tarcísio, Diego Torres Dourado — irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — e Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia.
Segundo interlocutores de Michelle, os nomes haviam sido definidos pelo próprio ex-presidente, e o governador chegou a confirmar o encontro.
Horas depois, a assessoria de Tarcísio divulgou nota informando que a visita seria adiada, sem definição de nova data. Na quarta-feira (21), o governador participou de entregas de casas no interior paulista, mas evitou falar com a imprensa.

Antes do recuo, ele consultou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de remarcar a visita e só desistiu após avaliar que a autorização poderia ser mantida.
Michelle e os advogados de Bolsonaro, porém, só foram informados da decisão depois que a mudança já havia sido comunicada à imprensa. Aliados da ex-primeira-dama reclamaram do modo como o governador conduziu o cancelamento, sem se preocupar em deixar uma nova data previamente alinhada.
Reação no bolsonarismo
Entre aliados de Bolsonaro, o recuo também provocou críticas. “Tarcísio deveria ir. É um equívoco cancelar. A visita é um gesto humanitário”, afirmou o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). “Metade da população brasileira gostaria de visitá-lo.”
Antes mesmo da declaração de Flávio, aliados já haviam sugerido a Tarcísio adiar a visita para um momento mais próximo do prazo, no início de abril, para uma eventual renúncia ao governo estadual caso decidisse disputar o Planalto. Embora o governador negue ser pré-candidato, parte de seu entorno atua nessa direção.
Segundo interlocutores, ao saber das falas de Flávio, Tarcísio decidiu cancelar a visita por entender que o senador tentou intimidá-lo. A leitura foi de que Flávio buscava pautar politicamente um encontro que, na visão do governador, teria caráter pessoal.
Originalmente publicado em DCM
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