O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado Conselho da Paz, uma nova instância diplomática idealizada pelo governo norte-americano com o objetivo declarado de atuar na resolução de conflitos internacionais. Concebido inicialmente como parte do arranjo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, o órgão passou a assumir contornos mais amplos e levanta questionamentos sobre uma possível tentativa de esvaziar o papel das Nações Unidas no sistema multilateral.
A cerimônia de assinatura foi realizada paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O evento ocorreu em meio a um ambiente já tensionado pela recente ofensiva tarifária e diplomática do governo Trump, incluindo a iniciativa, atualmente suspensa, de anexação da Groenlândia.
Segundo Trump, o novo conselho poderá desempenhar um papel de alcance internacional e trabalhar em articulação com organismos multilaterais já existentes. “Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, acrescentando que a ONU “tem um enorme potencial que ainda não foi plenamente utilizado”.
O Conselho da Paz nasce com a participação de países como Rússia, Israel, Arábia Saudita, Egito, Marrocos e Vietnã. Ainda não está definido, no entanto, quais dessas nações ocuparão assentos permanentes. O próprio Trump indicou que os países interessados em integrar o núcleo fixo do conselho deverão desembolsar US$ 1 bilhão para garantir a vaga, modelo que difere radicalmente do funcionamento tradicional de organismos multilaterais.
A ampliação do escopo do conselho tem sido recebida com preocupação por governos aliados dos Estados Unidos, entre eles França, Canadá, Reino Unido e Brasil. Diplomatas avaliam que a iniciativa pode fragilizar ainda mais a ONU, já pressionada por disputas geopolíticas e pela perda de consenso entre as grandes potências.
Apesar das críticas, Trump afirmou que pretende manter algum nível de cooperação com as Nações Unidas, ao mesmo tempo em que defende a criação do novo órgão. Segundo ele, a atuação da ONU tem sido insuficiente em conflitos recentes. “Acho que vai ser incrível, esperava que a ONU pudesse fazer mais, esperava não precisar deste conselho, mas as Nações Unidas… em nenhuma das guerras que eu encerrei, as Nações Unidas me ajudaram”, declarou o presidente dos Estados Unidos na terça-feira (20), antes de embarcar para a Suíça.
Originalmente publicado em Brasil247
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