O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, acredita que o Congresso Nacional vai votar, já neste primeiro semestre, o projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1, ou seja, seis dias de trabalho e apenas um de folga.
Segundo o ministro, o diálogo com os setores do Congresso “está avançando muito bem”. Na semana passada, ele e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, conversaram sobre o assunto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse Boulos nesta quarta-feira (21) durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Boulos explica que a proposta é uma prioridade do governo e integra a lista de objetivos assumidos para melhorar a qualidade de vida e as condições laborais dos trabalhadores brasileiros.
“A proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, de 5×2, 40 horas semanais. Hoje o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores”, defende.
Na entrevista, o ministro cita exemplos em países nos quais o fim da escala 6×1 não significa redução da produtividade dos trabalhadores.
“A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4×3 e a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos 3 anos e isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da produtividade. Se você pegar o Japão, no caso da Microsoft do Japão, a 4×3 aumentou em 40% a produtividade individual do trabalhador”, explica.
Impacto
Boulos observa também os impactos positivos da mudança em território nacional. “No Brasil, houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. Sabe qual foi o resultado? Em 72% dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento de prazo. E várias empresas, individualmente, já estão reduzindo”, diz.
O ministro diz que a atual jornada provoca desgaste físico, emocional e reduz o convívio familiar.
Desse modo, ele propõe um reforço na abordagem a favor do projeto: “O debate que temos que fazer é o seguinte: uma coisa é você trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Só bilionário herdeiro que não. Todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos. Para fazer, inclusive, um curso de profissionalização, de qualificação, que vai aumentar a sua produtividade como trabalhador”.
“Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor. Então, por todas essas razões, o que a gente sustenta, baseado em dados e não em blá blá blá, é que o fim da escala 6×1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil, como aconteceu em outros lugares”, observa.
Originalmente publicado em vermelho.org.br
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