O jornalista Reinaldo Azevedo contesta a construção da imagem de Flávio Bolsonaro como um “Bolsonaro moderado” e levanta dúvidas sobre os riscos institucionais associados ao discurso e às posições do senador. Em coluna publicada no portal Metrópoles, o autor argumenta que a tentativa de suavizar o perfil político do pré-candidato do PL à Presidência entra em choque com declarações e atitudes consideradas ameaçadoras à democracia.
Logo no início do texto, Azevedo relembra que Flávio Bolsonaro não recuou de uma fala em que condiciona o respeito a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao resultado eleitoral. Segundo o colunista, o senador “ameaçou o país com um golpe de Estado caso o STF decida que indulto ou anistia são inconstitucionais”, o que, na sua avaliação, mantém uma ameaça golpista em aberto.
Narrativa de moderação sob suspeita
A tentativa de apresentar Flávio como uma versão mais moderada do bolsonarismo aparece em um vídeo divulgado pelo próprio senador nas redes sociais. No conteúdo, sua esposa, Fernanda, afirma: “Não é à toa que você é um Bolsonaro moderado” e acrescenta: “Reeduquei ele (risos)”.
O próprio Flávio reforça essa construção ao dizer: “Quando algumas pessoas começam a falar, né?, [que] eu sou um Bolsonaro vacinado… Olhando isso tudo, Deus foi me preparando para esse momento”. Em seguida, Fernanda projeta: “O brasileiro pode esperar um presidente com muita garra para lutar por esse país, para lutar por Justiça”.
Para Reinaldo Azevedo, essas declarações carregam um simbolismo evidente, mas não são suficientes para sustentar a ideia de moderação. Ao contrário, ele sugere que o próprio discurso revela a percepção de que o bolsonarismo em sua forma original é problemático.
A metáfora da “vacinação” e o peso da pandemia
O colunista explora a metáfora do “Bolsonaro vacinado” à luz da pandemia de Covid-19, que deixou centenas de milhares de mortos no Brasil. Ele lembra o papel do STF na condução de medidas de enfrentamento e questiona se a suposta “vacinação” de Flávio se estenderia ao campo político.
A dúvida central, segundo o texto, é se o senador estaria realmente imune ao “vírus do golpismo”. Azevedo também questiona sua postura em temas ligados à diversidade e direitos civis, citando episódios em que Flávio recuou de posições após pressão de sua base.
Política externa e ausência de proposta econômica
A coluna também aborda a fragilidade de um projeto econômico claro. Segundo o autor, Flávio Bolsonaro sinalizou alinhamento automático com os Estados Unidos — atualmente presididos por Donald Trump — e postura hostil à China, principal parceiro comercial do Brasil.
Para Azevedo, essa orientação não configura um plano consistente de desenvolvimento. Ele questiona se seria possível avançar economicamente em um cenário de degradação institucional, ressaltando que a extrema direita historicamente associa agendas econômicas a práticas autoritárias.
Crítica à cobertura da imprensa
Outro ponto central do texto é a crítica à imprensa brasileira. O colunista afirma que parte da cobertura tem minimizado os riscos políticos ao concentrar o debate em questões econômicas, o que contribuiria para obscurecer ameaças à democracia.
Segundo ele, há uma tolerância crescente com discursos autoritários sob o argumento de pluralidade, o que abre espaço para a normalização de práticas que enfraquecem instituições democráticas.
Referência a “Mephisto” e alerta histórico
Para ilustrar os perigos desse processo, Reinaldo Azevedo recorre ao filme Mephisto (1981), de István Szabó. A obra retrata a trajetória de um artista que se adapta ao regime nazista em troca de reconhecimento e poder.
Em um dos momentos citados, o personagem questiona: “Liberdade? Para quê?”. A frase é utilizada como síntese do risco de relativizar valores democráticos diante de interesses políticos ou pessoais.
Liberdade e democracia em debate
Ao final, o colunista aponta que setores da sociedade parecem relativizar a importância da democracia, seja por conveniência ou por cálculo político. Nesse contexto, a ideia de Flávio Bolsonaro como um “Bolsonaro moderado” seria, na sua visão, uma construção que não resiste à análise dos fatos.
A reflexão central do texto reforça que a pergunta “Liberdade para quê?” não pode ser naturalizada, especialmente em um cenário em que instituições democráticas são colocadas à prova.
Com informações do Brasil247
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