O avanço das investigações sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o Banco Master provocou um forte abalo no bloco de sustentação da extrema direita e do conservadorismo. Temendo a contaminação eleitoral provocada pelo escândalo financeiro, as principais lideranças desse espectro político iniciaram um movimento de distanciamento público, deixando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro politicamente isolado enquanto cobram punição exemplar para os envolvidos.
Durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília, na quarta-feira (20), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), externou publicamente o racha. Cotado nos bastidores como um dos principais nomes para compor uma chapa presidencial na condição de vice, Zema subiu o tom contra o aliado em entrevista à imprensa.
O governador mineiro classificou a conduta do senador como uma decepção total e afirmou que suas explicações não foram convincentes. O ex-chefe do Executivo de Minas Gerais definiu o caso como imperdoável e um desrespeito à população, anunciando o rompimento definitivo com o grupo ao afirmar que não caminhará ao lado de indivíduos envolvidos com corrupção.
O isolamento do clã Bolsonaro foi ampliado nesta sexta-feira (22) pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Embora transite formalmente por partidos como o PSD na tentativa de atrair parcelas do eleitorado de centro para viabilizar sua pré-candidatura presidencial, Caiado é historicamente reconhecido por sua trajetória na direita e pelo apoio a pautas da extrema direita conservadora. Em entrevista exclusiva de repercussão nacional, o político goiano tratou a situação de Flávio Bolsonaro como extremamente delicada e sem esclarecimentos satisfatórios.
Caiado cobrou total transparência institucional sobre as cifras milionárias sob investigação e desferiu duras críticas indiretas, apontando que “políticos contaminados pelo escândalo carecem de estatura moral e intelectual para sentar na cadeira da Presidência da República”. O ex-governador avaliou ainda que, sob o ponto de vista estratégico, o desgaste sofrido por Flávio o transforma no oponente ideal e mais frágil para ser vencido em um eventual segundo turno.
A desconfiança atingiu inclusive a base aliada histórica do bolsonarismo no Congresso Nacional. Também nesta sexta-feira (22), o próprio senador Ciro Nogueira (PP-PI) – que atuou como braço político de Daniel Vorcaro e também é investigado no escândalo – evitou assumir a defesa do colega de bancada e demandou uma apuração rigorosa por parte da Polícia Federal.
A crise na oposição explodiu após o veículo The Intercept Brasil vazar áudios e mensagens de WhatsApp detalhando negociações de R$ 134 milhões entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. De acordo com o bolsonarismo, o montante destinava-se ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Desse valor, Vorcaro repassou efetivamente R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O cenário jurídico agravou-se com a confirmação de que Flávio visitou a residência do banqueiro em novembro de 2025, logo após o empresário ter sido detido pela Polícia Federal sob a acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras estimadas em R$ 12 bilhões. Atualmente, o Banco Master encontra-se liquidado pelo Banco Central e Vorcaro segue preso.
*Com informações do Vermelho
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