Em discurso para a sociedade civil em Santiago, nesta segunda (21), presidente criticou concentração de renda e conclamou forças progressistas a se unirem contra o “novo Dissenso de Washington”
A soberania popular e o combate às desigualdades devem ocupar o centro dos debates nos fóruns internacionais, sobretudo em um ambiente político global fraturado pelo extremismo de direita. A avaliação é do presidente Lula. Ele tratou dos desafios dos países do Sul Global no evento “Democracia Sempre”, realizado nesta segunda-feira (21), em Santiago, no Chile, com representantes da sociedade civil.
“Falar de democracia em Santiago e na companhia de tantas organizações e movimentos sociais me faz me sentir em casa”, afirmou Lula, lembrando que o Chile foi “asilo contra a opressão”, em citação ao hino nacional daquele país. Lula destacou que os chilenos superaram a ditadura mas alertou que conquistas democráticas estão “novamente em xeque” com o avanço do extremismo político e a desinformação. “Na Europa, 48% dos jovens acreditam que a democracia está em risco”, comparou.
Democracia não é só votar
Lula definiu a democracia de forma pragmática, ligando-a diretamente à qualidade de vida da população, indo além do mero ato de sufrágio. “Democracia não é só votar — é ter comida na mesa, ter uma casa, ver seus filhos na universidade, desfrutar de lazer e cultura”, declarou o presidente. “Como afirmou o Papa Francisco, não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza e nem justiça na desigualdade.”
O presidente identificou a extrema concentração de riqueza como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento. Segundo Lula, “em meio aos escombros do neoliberalismo, temos como legado uma massa de deserdados e excluídos, presas fáceis de aventureiros que negam a política”, disse, ao condenar o abismo social no mundo. “A concentração de renda é tão absurda que 1% das pessoas mais ricas do planeta controla 45% da riqueza global.”
Os novos inimigos da democracia
“Os inimigos da democracia não recorrem mais à diplomacia dos tanques e das canhoneiras. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo”, disse o presidente. Ele criticou a “extrema direita latino-americana” por ser “subserviente e saudosa de antigas hegemonias”, bem como “antissoberana e abdica da autodeterminação dos povos”.
Para Lula, a solução passa por um novo pacto social, com o Estado assumindo um papel central na garantia de direitos. Ele também vinculou a luta por uma sociedade mais justa à necessidade de uma reforma tributária, afirmando que “sem justiça tributária, as distorções continuarão se ampliando em favor do grande capital e dos bilionários”.
Clima, Conflitos e Tecnologia
A pauta ambiental também foi tratada por Lula sob a ótica da desigualdade. Segundo o presidente, os efeitos da mudança climática penalizam principalmente os mais pobres. Ele mencionou a COP-30, que será sediada no Brasil, como um fórum para discutir uma transição energética justa. “Embaixo de cada copa de árvore existe um indígena, um quilombola, um ribeirinho e um seringueiro que precisam sobreviver”, pontuou o líder brasileiro.
O presidente também abordou os conflitos globais, afirmando que “não haverá democracia e desenvolvimento sustentável em um mundo conflagrado”, e criticou a “matança indiscriminada de milhares de mulheres e crianças em Gaza”.
Finalmente, Lula destacou a urgência de enfrentar os dilemas impostos pelas novas tecnologias. “Nossas sociedades estarão sob constante ameaça sem regulação das plataformas digitais e das ‘Big Techs’”, alertou. Ele defendeu que “o que é crime na vida real deve ser crime no ambiente digital” e que “liberdade de expressão não se confunde com liberdade de agressão”.
Ao concluir, Lula conclamou as forças progressistas à união, afirmando que a defesa da democracia é uma missão histórica que exige “desprendimento e compromisso dos atores públicos”. Com otimismo e resiliência, o presidente finalizou com a máxima:
“Quem tem uma causa não envelhece.”
Com informações da PT Org
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