O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, anunciaram, nesta segunda-feira (23), em Seul, a elevação das relações bilaterais ao patamar de Parceria Estratégica. A decisão foi acompanhada da assinatura de dez atos de cooperação e do lançamento de um Plano de Ação 2026-2029, com diretrizes para ampliar o comércio, a integração produtiva e os intercâmbios entre os dois países.
Entre os principais pontos do acordo estão a cooperação em minerais críticos, semicondutores e inteligência artificial, além de iniciativas nas áreas de saúde, agricultura, ciência e tecnologia, empreendedorismo e combate ao crime organizado transnacional. Os dois governos também reforçaram o compromisso com a ampliação do comércio bilateral.
A corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul soma cerca de US$ 11 bilhões, abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011. No último ano, o fluxo comercial foi de US$ 10,8 bilhões, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro. Entre os países asiáticos, a Coreia é o quarto maior parceiro comercial do Brasil e ocupa a 13ª posição no ranking global.
Desde 2024, o país asiático anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, sendo quase 80% concentrados na indústria de transformação. Segundo Lula, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros no mercado coreano, que vão de alimentos e bebidas a produtos químicos.
A Coreia do Sul é o segundo maior fabricante mundial de semicondutores e o maior produtor de chips de memória, com participação global de 60% nesse segmento. O país também detém parcela significativa do mercado de baterias. Já o Brasil possui reservas de minerais críticos utilizados como insumos essenciais na produção de eletrônicos e veículos elétricos.
O arranjo firmado prevê a criação de grupos de trabalho compostos por ministros de Estado. Do lado brasileiro, a coordenação ficará a cargo do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços. Pela Coreia do Sul, os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio, Indústria e Recursos liderarão os trabalhos. Esses grupos formarão uma Comissão Bilateral sobre Relações Comerciais, que deverá se reunir uma vez por ano ou em momento definido pelas partes.
O acordo, no entanto, não estabelece obrigações vinculantes nem prazos específicos para a implementação das iniciativas.
Saúde, indústria e inovação
Na área da saúde, os instrumentos assinados abrangem a produção de medicamentos e vacinas, pesquisa em diagnóstico de doenças transmissíveis e crônicas, genômica avançada e saúde digital. Lula mencionou a expectativa de fabricação conjunta de novas vacinas, fármacos e insumos médicos.
O presidente citou ainda o avanço do Brasil na construção do laboratório de biossegurança Órion, conectado ao acelerador de partículas Sirius, e destacou a cooperação entre instituições públicas de saúde, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e entidades sul-coreanas.
O plano também contempla cooperação em setores considerados intensivos em conhecimento, como a indústria aeroespacial. Lula lembrou as operações da empresa sul-coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e apontou a importância do diálogo entre as agências espaciais para aprofundar a colaboração, inclusive no compartilhamento de dados de satélites e em projetos de exploração lunar.
No campo comercial, foi celebrado um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, voltado à facilitação do comércio bilateral, harmonização regulatória e fortalecimento das cadeias de suprimentos. O documento também inova ao incluir minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e audiovisual.
Lula afirmou que discutiu com Lee caminhos para retomar as negociações entre o Mercosul e a República da Coreia, interrompidas em 2021. O presidente brasileiro também mencionou que o país trabalha há 15 anos para obter acesso ao mercado coreano de carne bovina e defendeu a conclusão dos procedimentos sanitários necessários para viabilizar as exportações.
Cultura e intercâmbios
O Plano de Ação 2026-2029 inclui ainda o fortalecimento dos intercâmbios culturais e educacionais. O presidente sul-coreano destacou que o turismo brasileiro na Coreia cresceu 25% nos últimos anos.
A aproximação entre as sociedades também se reflete na expansão da cultura coreana no Brasil, impulsionada pelo k-pop, pelas produções audiovisuais e pela popularização da chamada “K-beauty”. No sentido inverso, Lula ressaltou o potencial da economia criativa brasileira, que responde por mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados mencionados pelo presidente.
Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1959. Esta é a terceira visita de Lula à Coreia do Sul, mas a primeira com caráter de visita de Estado. A viagem integra a estratégia do governo brasileiro de ampliar a presença na Ásia, diversificar parceiros comerciais e atrair investimentos para setores considerados estratégicos.
Com informações do Brasil de Fato
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